À espera de 2011


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O Natal já passou mas não deixa de ser intrigante um fato que veio a lume recentemente. Diz o dado que a figura do Papai Noel foi criada para substituir a figura de Jesus Cristo. Basta pensar para concluir que o dado não é falso. A civilização cristã está sendo forçada a deixar de ser cristã e não é de hoje. O grande problema no Brasil é que as pessoas estão tão formatadas para aceitar as coisas pelo valor de face que não querem se dar ao trabalho de arranhar o verniz para saber o que está por baixo.

Vivemos em tempos difíceis para a razão humana. O que está ocorrendo é que as pessoas se perderam num labirinto de mediocridade que qualquer notícia ou propaganda veiculada é recebida como verdade. Não há como não se alarmar com a deformação intelectual dessa geração. Qualquer modismo, mesmo aquele que degrada moralmente as pessoas, principalmente a juventude, é recebido como a coisa mais linda do mundo. Ninguém se presta a realizar um procedimento de crítica e autocrítica do que vem sendo vendido como moralmente aceitável.

A família está sob ataque. Os pais já não têm mais consciência de seus papéis nas vidas de seus filhos. Estão aceitando que a televisão, a escola, o cinema e os joguinhos eletrônicos sejam os educadores dos seus filhos. Se esquecem de observar que o que está acontecendo não é normal. Tudo o que estão vendendo como valores são mecanismos de enfraquecimento e destruição da sociedade.

Estão vendendo a idéia de que o ‘paraíso’ é aqui. Ninguém precisa mais da Metafísica, da religião, do transcendente. Tudo se resolve aqui através da busca do máximo prazer e de todo o tipo de perversão. Mas o que vem a ser o ‘paraíso’? Parece que quando as Sagradas Escrituras se referem à expressão ‘paraíso’, querem orientar o cristão no sentido de retorno, ‘religação’ a uma inocência perdida em função da desobediência e por consequência, das falsas escolhas.

Quando os Textos Sagrados orientam na busca da verdade para que haja a libertação espiritual, não fornecem nenhuma fórmula matemática para isso. Jesus silenciou-se diante da pergunta de Pilatos: ‘o que é a verdade’?

A verdade não é algo que se transmite em textos ou palavras. É algo que devemos buscar mediante o próprio esforço. Nem mesmo Sócrates ou Platão, aliás, Sócrates nada escreveu de próprio punho, mas Platão que deixou muitos textos escritos, quando queria se referir à verdade, nunca escrevia.

A razão é simples. Não é possível encontrar a verdade no boteco da esquina, na livraria ou no shopping center. O ser humano é capaz de introspecção, de voltar-se para dentro de si mesmo, de encontrar-se consigo mesmo e com Deus. Deus estará para sempre morto se aquele que o busca o fizer de fora para dentro. Um feto não pode conhecer o rosto de sua mãe, sem morrer. O peixe não pode estudar a água saindo de dentro dela, certamente morrerá.

Entretanto, num País onde só os piores são superiores, só as aparências é que importam, o que fazer para que essa busca seja ao menos cogitada? O novo ano que se aproxima é como a ‘Floresta Velha’, descrita em O Senhor dos Anéis. É novo porque desconhecido. Velho porque, apesar dos fogos de artifício, continuamos as mesmas pessoas de sempre.

Acreditamos que a verdade está lá fora.

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora

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