Ponto de partida


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Uma pesquisa divulgada ontem pelo instituto Sensus, sob encomenda da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), mostra que a presidente eleita Dilma Rousseff vai começar seu trabalho sob grandes expectativas da população brasileira. Embora vá tomar posse com uma boa avaliação dos brasileiros, a amostragem aponta para o que a população considera que deve ser atacado como prioridade. Para 27,7%, Dilma fará um ótimo governo e 41,5% esperam uma boa administração. Um índice considerável para uma verdadeira incógnita, uma vez que a petista nunca assumiu um mandato. O que chama a atenção, porém, são os problemas que preocupam os brasileiros. A saúde pública foi indicada por 46% dos entrevistados como o problema prioritário que a futura presidente precisará enfrentar. A porcentagem é duas vezes maior que a do apontado em segundo lugar, a educação pública (19,5%). Em seguida, vêm violência urbana (15,1%); geração de empregos (9,2%); habitação (3,1%); transporte público (2,8%); estradas (1,5%); e saneamento (1,3%).

Deve-se destacar que os problemas e os índices mudam pouco em relação à preocupação da população nos últimos anos. A saúde pública - cujos problemas se arrastam por décadas - deve ser enfrentada com grande dose de coragem e capacidade de gerenciamento. Afinal, o que não se pode é jogar no colo do contribuinte brasileiro a conta da manutenção de um serviço essencial, do qual depende a grande maioria da população brasileira. O crescimento da arrecadação federal prova que um novo tributo para o financiamento do SUS (Sistema Único de Saúde) não é necessário, desde que uma série de gargalos na distribuição de verbas sejam eliminados. A segunda preocupação, a educação pública, precisa ser encarada com mais seriedade. Nos últimos anos, o País avançou bastante nesse setor, mas ainda não conseguiu melhorar os índices que balizam a qualidade do ensino em nível internacional. A falta de uma política nacional que norteie o ensino em todos os seus níveis - federal, estadual e municipal - é o principal entrave para que a situação avance mais. Uma ação coordenada entre todos os envolvidos é necessária para que as diferenças não se tornem um fator complicador para uma melhoria geral.

É bom que Dilma Rousseff receba esta pesquisa não como um relatório para sua satisfação pessoal, mas sim como objeto de análise. Espera-se que ela e sua equipe se debrucem sobre os dados de forma a conhecer melhor os anseios do brasileiro e o que este espera que o futuro governo faça para melhorar a qualidade de vida de toda a população.

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