Uma volta de moto inesquecível pela América do Sul em 34 dias


| Tempo de leitura: 3 min
Aventureiro partiu na semana passada e tem pela frente Peru, Argentina, Chile e Bolívia, até o retorno ao Brasil
Aventureiro partiu na semana passada e tem pela frente Peru, Argentina, Chile e Bolívia, até o retorno ao Brasil

Você toparia percorrer 12 mil quilômetros de moto, sozinho, e viajar por cinco países da América Latina, isso em até 34 dias? O programador Paulo César da Silva Júnior, 23, aceitou o desafio. No começo deste ano ele comprou uma Yamaha Fazer, de 250 cc, e em seis meses planejou a principal viagem da vida dele. 

Na segunda-feira, dia 20 de dezembro, às 5 horas, ele partiu de Ribeirão Preto com destino a Foz do Iguaçu (PR), o primeiro percurso de sua viagem. Um caminho de pouco mais de 900 quilômetros. Depois ele terá pela frente Peru, Argentina, Chile, Bolívia e novamente o Brasil.

No trajeto entre imaginar a viagem e conseguir concretizar o plano, houve percalços. Os primeiros foram na família. A mãe dele tentou, sem sucesso, inúmeras vezes fazê-lo postergar a saída ou convencê-lo que de carro seria melhor. A namorada Maria de Lourdes, 20, foi outra que torceu um pouco o nariz. “Eu vou ficar longe da família no Natal, Ano Novo e não vou passar o aniversário da minha namorada junto com ela, no dia 28 de dezembro”, contou em entrevista uma semana antes da viagem.

Como fez para garantir a tranquilidade e não perder a viagem? “Minha mãe percebeu que não ia ter jeito. Ela viu o tanto que corri para acertar documentos e gastei R$ 1,2 mil só em equipamento para a moto. A minha namorada sabe que esse é um antigo sonho, ela também gosta de moto e conseguiu entender”.

Paulo utilizou blogs, sites e grupos de discussão na internet para definir o caminho a ser percorrido, descobrir preço de combustível nos países em que vai passar e conhecer um pouco da cultura dos países vizinhos. Para reunir a grana, guardou o 13º salário e uma premiação recebida pela empresa em que trabalha. Com isso, somou pouco mais de R$ 3 mil, quantia que espera gastar só na viagem.

Segundo ele, não há metas ou obrigatoriedade no mapa que ele vai seguir. Mas alguns locais terão passagem obrigatória. A Patagônia argentina, região onde está localizada a cidade de Bariloche, é um desses lugares. A Rodovia Panamericana, que possui 48 mil quilômetros e é constituída por várias outras rodovias, ligando o extremo da América do Sul ao Alasca, é outro ponto turístico imprescindível. Paulo irá cruzar o Chile inteiro por esta rodovia. 

Por fim, e quase na fase final da viagem, ele visitará Salar de Uyuni (a maior planície salgada do mundo), na Bolívia. “Vou passar por lugares onde pode haver neve e, em outros, onde há um calor de 40º. Tenho até que torcer para não ter neve porque minha moto não é preparada para isso”.

O aventureiro criou um blog (motonapanamericana.wordpress.com) para contar seu planejamento da viagem. Ele levou notebook e câmera fotográfica para fazer um diário de bordo desta aventura. E pé na estrada.


Desafios para uma viagem confortável sobre uma moto

Quem anda de moto ou mesmo quem não tem muita familiaridade com esse veículo sabe o quanto é difícil fazer viagens longas. Ou o bumbum ou as costas são vítimas do cansaço, ou os dois. Paulo César da Silva Júnior, que viaja 12 mil quilômetros pela América do Sul desde o dia 20 de dezembro, contou como se preparou para suportar as dores.

“Quem gosta sempre gosta. Isso já ajuda a superar. Mas vou ter uma almofada para colocar no banco. Tem muitas opções na moto para mudar a posição das pernas também”, disse o aventureiro que instalou o mata-cachorro em sua Faser.

Paulo também tem um truque para combater o tédio que muitas vezes atinge quem tem longas distâncias a serem percorridas. Se a estrada estiver chata, ele usará as músicas no GPS para ouvir. “Vou levar minhas aulas de espanhol no GPS. Quero andar pela América do Sul mais afiado na língua espanhola”, revelou. 

(Clique na imagem para ampliar):

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários