Este 25 de dezembro merece um momento de reflexão. A festa de Natal é marcada pelas reuniões familiares, pela troca de presentes em meio a uma mesa farta. Todos devemos aproveitar este momento para refletirmos a violência que insiste em fazer parte de nosso dia a dia. Somente nesta semana que precedeu o Natal, a cidade de Franca registrou três assassinatos. Um filho matou a própria mãe e o padrasto. Na madrugada de ontem, um cobrador de ônibus tirou a vida de um amigo da ex-namorada (leia mais na página A-8). Histórias que nos chocam e deixam muitos abalados. Mas devemos ir além deste choque momentâneo. Devemos levar esses casos à mesa de Natal, aproveitar a família reunida e debatermos o motivo de tamanha violência.
É na família que começamos a viver em sociedade. A relação familiar se reflete na relação social. Este é o dia para plantarmos no nosso núcleo parental a cultura da paz. É hora de elevarmos o pensamento para a importância do amor, da caridade e da solidariedade. Sentimentos que merecem uma maior consideração de todos nós, que vivemos num mundo atribulado, onde a violência se banaliza, tornando-se corriqueira. Um mundo convulsionado por conflitos armados - e não só por conta de guerras. Hoje, pouca coisa ainda é capaz de assustar e causar uma comoção que imprima no coração de todos os povos a marca do amor.
A solidariedade e a compaixão estão dando lugar a sentimentos cada vez mais negativos, como a intolerância e a incapacidade de sermos tocados pelo sofrimento alheio. Devemos tolerar as diferenças. Afinal, num mundo tão desigual, temos que reconhecer as dificuldades alheias e estender as mãos aos que ainda dependem da caridade e do amor incondicional para continuarem vivendo. O Natal é, antes de tudo, uma data onde devemos celebrar a vida, o amor, a amizade e a caridade. Tudo além disso é descartável e a renovação espiritual e moral é necessária para que o mundo caminhe para um futuro melhor. Quando ignoramos os que foram aquinhoados com uma existência de sacrifícios e dificuldades, estamos colaborando para o surgimento da violência.
Em algum momento deste dia, deixe de lado a celebração festiva e faça uma celebração à vida, uma reflexão sobre a igualdade entre os seres humanos. Olhemos à nossa volta e ajamos para juntos construirmos um mundo menos desigual, um mundo menos violento, um mundo de paz. Apenas desta forma é que haverá a certeza de termos um presente mais humano e garantias de um futuro menos sombrio. A humanidade, atualmente, segue por um caminho bastante difícil e pode não ter perspectivas de que as próximas gerações encontrem um mundo ideal para a sobrevivência. Por isso a importância de que passemos a pensar e agirmos para termos uma vida de paz.
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