É natural que o coração de todos fique mais envolvido por sentimentos de caridade, de amor e amizade nesta época do ano. É até uma utopia, mas que bom seria se todos os dias do ano tivessem esse encanto. E que as datas maiores, de Natal e da festa de Réveil-lon (ou virada do ano) fossem mais dominadas pela partilha do que pelos excessos de comida e bebida. Pudemos assistir ou tomar conhecimento de iniciativas pessoais ou de grupos levando a pessoas carentes um pouco de ajuda material, através de doações, além daquele abraço fraterno, seguindo o que o maior de todos os homens pregou durante sua passagem pela terra. Podia ficar aqui enumerando muitas dessas situações, mas certamente iria cometer a falha de esquecer da maioria, além de permanecer no lugar comum. Prefiro relatar o que me foi contado por uma amiga, refletindo o que podemos definir como das mais puras demonstrações de fé, numa cena vista em frente à Catedral N. Sra. da Conceição, por ocasião da festa em homenagem à Padroeira da cidade. A procissão seguia – com o andor da santa sendo levado pelos fiéis –, enquanto do lado de fora uma ‘margarida’, varrendo as ruas, ainda estava na sua jornada, quando parou, retirou o boné que usava para se proteger do sol, e apoiada à sua vassoura, levantou o olhar para a Mãe do Menino Jesus, com os olhos marejados, mandou um beijo carinhoso, esperou o andor passar, recolocou o boné na cabeça e prosseguiu com seu trabalho. O seu gesto puro e simples, com certeza subiu de imediato ao céu. Com a mesma rapidez de quem dispõe de recursos para ajudar alguém carente.
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