Recentemente li uma matéria tratando dos investimentos que estão ocorrendo em alguns municípios do tamanho de Franca, que objetivam seus desenvolvimentos planejados e ordenados. Chamou-me a atenção a cidade de Macaé, Rio de Janeiro, que contratou o famoso arquiteto e urbanista Jaime Lerner para desenvolver e coordenar seu projeto de desenvolvimento ordenado.
Lá, como aqui, o maior problema detectado é com trânsito. Para começar a resolver esse problema estudam implantar o modal de transporte coletivo VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), sistema semelhante ao metrô. O que, realmente, chamou-me a atenção é que Macaé é menor que Franca e traça ações objetivas e modernas para corrigir problemas decorrentes da falta histórica de um planejamento urbano, realidade na maioria absoluta dos municípios do Brasil.
Essa leitura transportou-me (literalmente) para a nossa realidade francana. Lembro-me que a última grande ação de planejamento do nosso trânsito foi a implantação do Passe Fácil (no governo Gilmar Dominici) que melhorou significativamente o transporte coletivo para quem dele necessita e modernizou seu funcionamento. Infelizmente, desde então, a ‘política’ municipal de trânsito tem se resumido unicamente, em maquilagem. Recapeia-se e pintam-se as ruas e avenidas principais mas a essência do trânsito permanece a mesma: caótica.
Ainda temos, no Brasil, uma quantidade considerável de políticos administradores conservadores e sem idéias modernizantes. Essas movimentações que ocorrem em certas cidades brasileiras precisam servir de estímulo para que os demais gestores públicos deixem a mesmice da rotina sem criatividade e invistam no desenvolvimento de idéias viáveis e transformadoras. A falta de planejamento criativo adia a solução dos problemas urbanos que, à cada dia, tornam-se mais graves. A lógica de só embelezar as vias públicas tem que acabar. As cidades padecem com falta de planejamento e Franca não é diferente. Temos diversas situações perigosas no trânsito que precisam ser solucionadas.
Um dos exemplos mais gritantes dessa situação mal planejada pode ser vivenciado na Alonso & Alonso, logo após o pontilhão da Rodovia Cândido Portinari. em direção ao Shopping da cidade. Nesse trecho vive-se uma verdadeira roleta russa. Os carros que descem a Avenida Rio Negro vão, em sua maioria, atravessar o fluxo da Alonso & Alonso para fazer o retorno no seu final e os carros que seguem pela Alonso & Alonso vão subir, à direita, em direção ao Shopping. Temos ali, um assustador cruzamento.
Há a necessidade de inverter a mão da Avenida Rio Negro. Até certo trecho o fluxo de veículos poderia descer (logo abaixo do shopping) e virar à direita indo até a Avenida Rio Amazonas e, no trecho final (até a Alonso & Alonso) a mão seria invertida somente subindo a Avenida Rio Negro. O acesso da rodovia para a Avenida Rio Negro pode ser transferido para um ponto mais alto na avenida. Assim, acabaria o cruzamento assustador e melhoraria-se o fluxo para o Shopping, tendo duas avenidas dando acesso ao local para quem vem pela Alonso & Alonso. Franca cresce rapidamente e precisa ser planejada com ações de médio e longo prazo, com menos maquilagem populista.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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