Então, é Natal. Impressão minha ou este ano, particularmente, passou mais rápido?
O planeta está rodando mais rápido: há até quem cite nomes de cientistas responsáveis pela teoria; já que ‘voou’, qual a razão de não me lembrar nem da roupa que estava usando no último Natal? Qual o motivo da ligeira dificuldade de lembrar o local onde o comemorei? Questão de idade? Poderia ser, mas fiz a mesma pergunta a vários jovens: as respostas variaram de ‘não me importo com essas coisas’, passaram por mudez acompanhada de arregalar de olhos e (alguns poucos) rápidos acertos: ser mais velho ou mais moço não influiu, pelo menos aqui. Detalhe: na maioria das vezes as respostas foram acompanhadas por uma risadinha sem graça.
Há no ar, por estes dias, uma euforia artificial, diria que universal. As pessoas de cá e de lá dos oceanos correm de um lado para o outro, listas nas mãos, tentando não esquecer presentes para todos aqueles que foram esquecidos durante os outros trezentos e sessenta e quatro dias no intervalo desde a última data similar. E, com neve ou sob um sol escaldante, estão suadas e preocupadas: prova disso aquela meia dúzia de presentinhos (lembrancinhas...) impessoais, atemporais, insípidos, inodoros e incolores para serem dados em troca do pacotinho inesperado trazido inesperadamente por alguém.
Dar presentes nessa época se transformou em forma fácil e prática de contemporização. Quanto mais caro, acredita-se, mais eficaz. É o pai e a mãe dando o carro - a motor ou de controle remoto, a bicicleta, o aparelho eletrônico, a jóia cara para substituir as horas de ausência e quase abandono dos filhos. É o marido deixando ‘impostergáveis compromissos’ por uma hora, para procurar o objeto de desejo da mulher... que dinheiro pode comprar. É o amigo - ou amiga - cheque na mão, tentando lembrar do nome do vinho, do tipo de livro, de como é mesmo a decoração da casa daquela pessoa, mimo que, ao ser entregue, fatalmente será acompanhado da presumível desculpa: ‘Sabe como é, essa vida tão corrida nos distanciou mas, caramba! está aqui a prova de que gosto muito de você e não te esqueci!’. Daí abraços, promessas de breves e frequentes encontros logo, logo. E novamente o esquecimento: ‘Ah! essa vida...’. E ‘essa vida’ não tem nada com isso, não. Cada um tem a ‘vida’ que escolheu ter. As crianças e jovens ficam frustradas se não ganham seus presentes? Quem gerou nelas a expectativa foram os adultos. Quem provocou a fúria consumista também foi o adulto que um dia lhe disse, mesmo que sub-repticiamente através de atitudes: ‘Vou sair, ficar fora, não venho almoçar ou jantar com você, não vou poder fazer a lição com você: vou trabalhar, ganhar dinheiro para poder lhe dar isso e aquilo’.
Tenho vergonha de me desculpar alegando falta de tempo para não ter me encontrado com amigos: se eles nem percebem, eu sinto que estou sendo falsa: tempo - volta e meia afirmo - é questão de preferência... Há falta de tempo, claro: mas por mau gerenciamento. De minha parte, gasto mais tempo organizando tarefas para merecer o título de rainha da organização (que jamais receberei) que observando árvores e passarinhos ao pôr-do-sol; tomando sorvete no meio da tarde com minhas netas; indo tomar café na casa da amiga idosa que às vezes se confunde e me chama por outro nome; interrompendo o ritmo e velocidades frenéticos para apenas olhar as ruas e avenidas da cidade, que estão tão lindas e floridas e, por esta época, enfeitadas e iluminadas. É. Vai ver que estou errada, ultrapassada, e a vida moderna é assim mesmo. Bom Natal, para você, também.
PREPARAÇÃO
Festas, baladas e celebrações de Natal anunciadas; ceias agendadas nas casas da cidade: nas suntuosas ou simples, amigos e famílias irão se reunir para beber e comer, trocar presentes. Vai ter Missa do Galo, celebrações religiosas. Natal é nascimento de Cristo: será que os cristãos estão preparados espiritualmente para esta particular festa de aniversário?
PRESENTE
Não é questão de orçamento: é de determinação pessoal. Mesmo que habilidades manuais não façam parte de seu perfil, procure lojas e cursos especializados e, durante o ano, empenhe-se em produzir com suas mãos alguma coisa para oferecer a seus amigos. Ou a quem você quer muito bem. Receber um objeto com a explicação ‘Fiz para você’, vale mais que um quilo de ouro trabalhado por mãos anônimas...
TADINHO
... do Papai Noel brasileiro! Vestido com aquela roupa de veludo, enfeitada com pele branca - não demora os eco-chatos vão implicar com o enfeite politicamente incorreto -, botas até os joelhos, gorro e luvas! Fica sentado, tirando fotos com crianças sentadas no seu colo (com isso já implicaram: tempos de Pedofilia!), obrigado a sorrir o tempo todo, do Oiapoque ao Chuí suando em bicas...
FILMES
Absolutamente imperdíveis, Natal como tema: A felicidade não se compra; O Milagre da Rua 32; Simplesmente amor; O Expresso Polar; Feliz Natal (Joyeux Noël), este, um filme baseado em fatos reais: a trégua de Natal, durante a Primeira Guerra Mundial, quando alemães, franceses e escoceses interromperam a batalha para comemorar.
VOTOS
Que este seja o mais belo Natal de sua vida. Se for cristão, que Jesus renasça em seu coração trazendo-lhe paz, alegria, desejo de amar ao próximo. Se você não for, que a época seja de reflexão sobre conceitos como respeito, responsabilidade por suas ações, compromisso com sua família e aqueles que você ama. Se você for cristão, lembre-se do aniversariante da data. Se você não for, mesmo assim participe das comemorações: manifestações humanas são válidas pois emocionais, independentemente das crenças particulares.
Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br
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