Grupo do Movimento Sem-Terra invade área da Fepasa em Orlândia


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OCUPAÇÃO - Homens montam acampamento na Fazenda Olhos D’Água, em Orlândia. Oitenta barracas serão levantadas no local
OCUPAÇÃO - Homens montam acampamento na Fazenda Olhos D’Água, em Orlândia. Oitenta barracas serão levantadas no local

Integrantes do MST (Movimento dos Sem-Terra) ocuparam, no início da madrugada de ontem, a Fazenda Olhos D’Água, localizada na Rodovia Altino Arantes, a quatro quilômetros de Orlândia. Esta foi a segunda invasão ao mesmo local em menos de um ano. Pelo menos 80 famílias estão montando acampamento nas terras. A área, de 272 mil metros quadrados, pertenceu à Fepasa (Ferrovia Paulista S.A.), mas, segundo os coordenadores do movimento, ela já estaria homologada para fins de reforma agrária. A intenção é agilizar o processo de assentamento.

Os militantes chegaram à fazenda pouco depois da meia-noite. A maioria estava acampada em uma propriedade do outro lado da rodovia e não precisou de veículo. Partiram a pé para o local. Outros, que vieram de um pouco mais longe, chegaram de carro e caminhão. A ocupação foi pacífica e, segundo a coordenadora-regional do MST, Maria das Neves Costa, bem diferente de há oito meses quando as famílias deixaram a mesma fazenda depois de um ano acampadas. “Saímos após decisão da justiça e ameaças do arrendatário”, disse.

Quase dez horas depois da ocupação, Amauri César Lopes, funcionário da Prefeitura de Orlândia e responsável pelo imóvel, chegou ao local. Ele estava sozinho. Não conversou com os militantes e deixou a fazenda em menos de 15 minutos. Ao GCN Comunicação, disse que tem a posse da fazenda, pagou e paga por ela (arrenda) e que vai pedir a reintegração na Justiça. “Estou aqui há mais de oito anos. Fiz contrato com a Fepasa, que foi extinta, mas que me deu direito de usufruir. Tenho toda documentação que comprova isso. Recentemente a União me mandou um Darf (Documento de Arrecadação Fiscal) para pagar. Fiz recadastramento e aguardo para comprar o imóvel”, disse. Ainda de acordo com Amauri, a terra era utilizada para pastagem de gado e serve de moradia para um caseiro.

Para Maria das Neves, a posse é injusta e prejudica o assentamento de famílias de pelo menos oito áreas daquela região. “Ela barra todo o processo já em andamento das outras. Por isso a necessidade da ocupação”. 

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