Papai Noel


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Todos querem presentes. Em Brasília, a capital dos satisfeitos, a renda per capita mais alta do país, o IDH mais elevado da nação e onde não se produz um palito de fósforo, os políticos já garantiram a ‘caixinha de Natal’, elevando seus salários para quase trinta mil reais mensais.

A última pesquisa de aprovação presidencial, cujo índice foi de 87%, deve ter sido realizada somente no Plano Piloto. O socialismo é lindo.

O partido transforma todo mundo em funcionário público, fornece ‘bolsa camisinha’, ‘bolsa Ky’ (nesse item fundamental da ‘cesta básica’ foram investidos 40 milhões de reais do dinheiro público em 2009), ‘bolsa de tudo um pouco’, avança sobre o ‘bolo de riquezas’ e sai distribuindo presentes igualzinho ao Papai Noel.

Essa semana Lula disse em Salgueiro, Pernambuco, que ‘não tem nada mais socialista do que uma mãe; ela pode ter dez filhos; ela pode ter um mais bonitinho, um mais feinho; mas gosta de todos em igualdade de condições’. O paternalismo de Estado já estava difícil de engolir, mas o maternalismo de Estado estoura radicalmente os miolos.

Minha mãe criou cinco filhos e nunca foi socialista. Educou cada um de forma diferente. Ela não teve os cinco ao mesmo tempo, portanto, em cada época necessidades desapareciam e surgiam. Não é possível ser igual com todos.

Minha avó materna teve sete filhos e nunca foi socialista. Certo dia preparou uma vara de marmelo e usou-a ‘delicadamente’ nos lombos dos meus tios que com dezoito e dezenove anos, respectivamente, viviam brigando por conta de jogo de bola. Nenhum deles se tornou alcoólatra, nenhum tomou drogas, nenhuma de suas filhas fugiu de casa revoltada com os pais.

Experimentem, senhores pais e senhoras mães, dizer aos seus filhinhos “olha queridinhos, vocês não precisam trabalhar não, tá? Nós vamos suprir todas as suas necessidades. Estudar também não precisa. Você tem digitais naturais. Se não conseguirem assinar seus nominhos lindos é só ‘tocar piano’ na ficha policial”.

É assim que funciona? É essa a maneira mais correta de educar uma criança? A maneira de conduzir um povo é instituindo a preguiça oficial? Esses, que ocupam o poder, raciocinam de trás para a frente. Sabem aonde querem chegar. É a máxima concentração de poder no presente mediante uma promessa de paraíso futuro que nunca chega. O futuro deles é autoadiável.

E sempre usam o agrado para conseguirem seus intentos. Engambelam os desavisados e são ovacionados pela massa informe. Quem não gosta de vida mansa? A ‘lei do menor esforço’ é a lei que mais funciona no Brasil e, prova disso é que o Estado de São Paulo, considerado o mais rico da federação, tem PIB e o IDH menores que o de Brasília.

Mas, é Natal. Tempo de endividamento no cartão de crédito, de compras exacerbadas e de empanturrar-se de comida e de bebida. Jesus Cristo mesmo, a razão maior dessa festividade cristã, está longe de ser o grande homenageado. Desde que mataram Deus, Ele não passa de um personagem sem expressão nas mentes dessa civilização ímpia e sem fé.

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora

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