Ilusão! De acordo com pesquisa do Procon Franca, divulgada por este Comércio, há variações de preços de até 232% entre produtos da ceia natalina
A combinação “variação de preços com compras de última hora” é explosiva e desfavorável ao consumidor. Na pressa, acaba-se comprando sem pesquisar e adquirindo produtos a preços elevadíssimos. Importante, então, que o consumidor tenha bastante cuidado para concluir suas compras de Natal, seja de produtos alimentícios, seja de presentes. Acrescente-se que nos últimos três meses houve elevação de preços considerável na cesta básica de alimentos, o que influencia os preços da cesta de Natal. Todo cuidado é pouco para que você não entre em superendividamento e passe 2011 com o fardo de pagar dívidas!
O movimento, até sexta-feira, deve ser intenso no comércio local e a compra de última hora exige cuidados. Aqueles que podem adiar a compra para após o Natal farão bom negócio. Depois, será possível beneficiar-se de alguma promoção, isto porque antes do Natal as margens de lucro são maiores e os preços também.
Aos que vão comprar até a véspera do Natal é imprescindível elaborar uma lista dos presentes a serem comprados, antes de sair de casa, para evitar compra por impulso. De posse da lista, faça ampla pesquisa de preços, nem que para isso você tenha que se esforçar bastante. As diferenças ainda são elevadas entre uma loja e outra. Escolhido o presente é hora de pechinchar e conseguir o melhor desconto para pagamento preferencialmente à vista.
Se pretende parcelar, faça as contas e verifique o impacto do valor da parcela no seu orçamento mensal doméstico. É totalmente desaconselhável contrair novas dívidas sendo que você não tem sequer a certeza de continuar no mesmo emprego no ano que vem. Cautela é o melhor remédio, mesmo que você adie a compra para 2011.
Decida a compra depois do desconto conseguido. Aí então, o consumidor deve verificar as condições do produto. Faça um teste se possível, verifique o manual de instruções em português e o termo de garantia sempre por escrito. Junte todas as propagandas do produto para que, futuramente, possa exigir o cumprimento da publicidade. Peça ao vendedor anotar por escrito todas as promessas feitas verbalmente, e por fim, exija sempre a nota fiscal. Ela é sua maior garantia se o produto der defeito.
Há que se destacar que o estabelecimento comercial pode recusar o pagamento em cheque se houver aviso prévio e ostensivo. Do contrário, não pode. Também não pode recusar cheque de conta recente. Faça o cheque sempre nominal, cruzado. Se for pré-datado, coloque a data com caneta no próprio cheque e não no ‘chorãozinho’ da loja. Se o pagamento for no cartão de crédito, o preço sempre será o mesmo praticado à vista, em dinheiro, não podendo incluir 5% ou outro percentual para passar o cartão. Na venda por crediário (carnê), a loja jamais pode recusar o cadastro do consumidor sem lhe avisar por escrito todos os motivos da recusa.
Na venda a prazo, o consumidor tem o direito de saber a taxa de juros mensal e anual praticada, o total de parcelas e o total do valor a prazo. Vale lembrar que a loja não é obrigada a trocar o produto por mero capricho do consumidor. Se houver defeito a loja tem trinta dias para consertar o produto e entregá-lo ao consumidor. Do contrário, o consumidor só poderá exigir a troca do produto se a loja escrever no verso da nota fiscal ou na etiqueta do produto a possibilidade de troca e o prazo para isso.
Quem compra no comércio informal não tem nota fiscal e deve saber que não vai ter nenhuma garantia. Além disso, pode-se, direta ou indiretamente, estar colaborando com contrabandistas e falsificadores de mercadorias. Não se esqueça: preço baixos em véspera de Natal é pura ilusão. Fique bastante atento às suas compras e contenha-se. Seja cauteloso e criterioso. Importante que o consumidor seja consciente no momento das compras exigindo seus direitos e economizando na medida do possível. Que todos tenham um ótimo Natal e um próspero Ano Novo.
Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon Franca - denilson@comerciodafranca.com.br
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