Para quem não conhece o PISA - Programa Internacional de Avaliação de Alunos – trata-se de exame mundial, aplicado a cada três anos pela OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
Pode ser comparado ao ENEM, porém, ressaltamos, sem os mesmos problemas de folhas trocadas, gabaritos invertidos, vazamentos do conteúdo etc. O objetivo do PISA é oferecer indicadores que possam ser comparados internacionalmente, no intuito de embasar políticas públicas na área educacional.
Independentemente da colocação do Brasil (anteriormente em último lugar e na edição do PISA 2009, 53º posição entre 65 países participantes), o que é muito grave é a forma, a maneira como o resultado é interpretado e divulgado pelas nossas autoridades. É difícil aceitar que estão comemorando o 53º lugar, argumentando que conseguimos subir 33 pontos na média de acertos. No programa de rádio “A Voz do Brasil”, o ministro da educação, Fernando Haddad, comemorava a colocação dizendo que era um ‘gritante avanço’. Na realidade houve tão somente uma manipulação de dados por parte de nossas autoridades, no intuito de esconder nossa péssima colocação e tentar justificar que estamos no caminho certo.
Nós, brasileiros, nos achamos sempre melhores em tudo exatamente porque a grande maioria não conhece outros países para que possa fazer comparações. Esse é o grande problema: um sistema educacional deficiente não dá condições para que o cidadão consiga por si só efetuar comparações e formar sua própria convicção. A pergunta que fica: será que um sistema educacional sem qualidade ocorre por acaso ou será que pode ser intencional?
Sobrinhos nossos que moram na Bolívia vêm nos visitar nos finais de ano, e a cada ano ficamos impressionados com o conhecimento adquirido, pois falam inglês fluentemente (aprendido na escola e não em cursos particulares), possuem raciocínio lógico, habilidades com números e conhecimentos gerais. Em contrapartida, que nos desculpem, mas há professores de inglês na rede pública de ensino que não possuem nenhum domínio da língua e no entanto ministram aulas em até duas escolas. Isso, sem adentrarmos aos cursos superiores onde hoje, em razão dos avanços tecnológicos e de interação mundial, mantém suas grades curriculares desatualizadas com as realidades mundiais. A propósito existem professores de algumas disciplinas em cursos superiores que sequer conhecem a matéria, mas ‘irresponsavelmente’ aceitam ministrar tais aulas apenas com o intuito financeiro.
O Brasil em fase de crescimento precisa que seus trabalhadores se tornem aptos através da escolaridade e da capacitação técnica-profissional, principalmente em razão das estatísticas do IBGE demonstrarem que nossa população está envelhecendo e que haverá queda na oferta de mão de obra nas próximas décadas. O pior é que a pouca mão de obra da geração futura ainda será reduzida em razão das drogas e pela incapacidade de gerenciar sistemas e equipamentos com tecnologia de ponta.
Enfim, nossas autoridades ao invés de enfrentar o gravíssimo problema e desfraldar uma ampla campanha nacional em prol da educação de qualidade, copiando exemplos de países que valorizam a educação como sendo a base do Estado, contrariamente tentam ‘tapar o sol com a peneira’ no intuito de nos convencer de que tivemos um ‘grande avanço’.
NOVO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
A propósito do tema anterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na última quarta-feira o projeto de lei do Novo Plano Nacional de Educação, que deverá vigorar até o ano de 2020. Das 20 metas apresentadas em 14 páginas, quatro dizem respeito à valorização dos professores. Uma delas – sempre está presente em todas as discussões mas nunca é implantada – trata do plano de carreira. Assim, mais uma vez estamos vislumbrando o descumprimento da lei antes mesmo de ser aprovada pelo Congresso, como ocorreu com o plano de educação que ora termina e que tinha metas que não foram cumpridas e sequer discutidas. ‘Lei, ora Lei’.
REFORMA POLÍTICA II
Dando continuidade a temas para uma reforma política destacamos nesta semana a questão da qualificação do candidato. Acreditamos que a legislação deva ser alterada exigindo dos candidatos a vereador, no mínimo, curso médio, e para os demais cargos eletivos, curso superior completo. Deve também estabelecer idade mínima para os diversos cargos e que todos os candidatos tenham de se submeter a um curso preparatório com disciplinas indispensáveis à rotina do Poder Executivo e Legislativo. Tudo isso e obviamente, além de demonstrar ser Ficha Limpa.
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -
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