Segurança em xeque


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Uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada anteontem, mostra em números o que já se sabe há muito tempo: quase metade da população brasileira se sente insegura na cidade onde vive. A pesquisa ‘Caracterização da vitimização e do acesso à Justiça no Brasil’ tenta mensurar a preocupação do brasileiro com a segurança e as suas consequências. Na prática, 76,9 milhões de pessoas não se sentem seguras na cidade onde vivem, o equivalente a 47,2% da população. A pesquisa mostra ainda que 21,4% da população não se sente segura nem mesmo em casa. No próprio bairro, a sensação de insegurança atinge 32,9% das pessoas. O levantamento mostra um retrato do último trimestre do ano passado, mas não deve apresentar muitas alterações um ano depois. Aliás, a constatação é de que a sensação de insegurança pode ter crescido, em razão de fatos verificados durante este ano, como assaltos à luz do dia e tiroteios entre policiais e bandidos, num ritmo cada vez mais frequente.

Entre as regiões, o Norte do País tem o maior percentual de pessoas que se sentem inseguras (28,4% em relação à residência, 40,2% em relação ao bairro e 51,8% em relação à cidade). De outro lado, a região Sul tem o maior percentual de pessoas que se sentem seguras (81,9% em casa, 72,6% no próprio bairro e 60,5% na cidade). De modo geral, a sensação de segurança é menor em áreas urbanas do que em áreas rurais. Os homens se declararam mais seguros do que as mulheres. A pesquisa mostra ainda que a sensação de segurança em casa aumenta de acordo com a renda domiciliar per capita do entrevistado. Em compensação, o sentimento de segurança no bairro e na cidade é maior entre os que têm renda mais baixa. São Paulo está em 11º lugar no ranking com um percentual de 48,9% de inseguros em relação à cidade onde vivem.

Fica patente que a violência urbana tem sido uma das principais preocupações dos brasileiros, por conta do crescimento da ação da marginalidade e da dificuldade do Poder Público em promover a segurança dos cidadãos. Diariamente a imprensa tem ampliado a divulgação da ação de bandidos que atacam à luz do dia e não se sentem intimidados nem diante da possibilidade de serem apanhados em flagrante. Câmeras e outros equipamentos de vigilância estão perdendo a sua função de aparatos inibidores da ação criminosa. Os marginais estão conseguindo burlar até o rastreamento de veículos, tornando ainda mais difícil a recuperação de carros furtados. Ao mesmo tempo, os presídios não cumprem a sua função de elemento ressocializador de criminosos, sendo que muitos se tornam verdadeiras faculdades do crime. Desta forma, cresce a insegurança e a sensação de tranquilidade dos cidadãos, fato constatado pela pesquisa do IBGE, a qual deveria servir como balizador para a busca de soluções para que o brasileiro volte a se sentir seguro pelo menos dentro de sua própria casa.

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