Relatório final da CPI da Pedofilia exclui Padre Dé


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À ESPERA - Imagem de arquivo mostra o advogado Eduardo Caleiro Palma ao lado do padre José Afonso Dé, que era investigado pela CPI da Pedofilia desde maio
À ESPERA - Imagem de arquivo mostra o advogado Eduardo Caleiro Palma ao lado do padre José Afonso Dé, que era investigado pela CPI da Pedofilia desde maio

A CPI da Pedofilia do Senado apresentou na manhã de ontem seu relatório final sem mencionar a cidade de Franca ou o nome do padre José Afonso Dé. Com o encerramento das atividades, o grupo formado por sete senadores desiste oficialmente de ouvir o padre indiciado pela Polícia Civil de Franca e acusado pelo Ministério Público local por crimes sexuais contra quatro jovens com idades entre 13 e 16 anos em abril deste ano (leia mais em texto nesta página).

O presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), explicou que com o fim da comissão, todos os documentos sobre o caso reunidos por ela nos últimos oito meses foram enviados ao Ministério Público Federal. “A convocação de padre Dé está mantida, mas agora ele será ouvido por procuradores da República”, disse Malta. Ainda segundo o senador, o caso de Franca não foi o único sem conclusão. “Com o fim da legislatura, tivemos que encerrar os trabalhos e todos os casos em que faltavam depoimentos foram enviados ao MPF”.

Em quase três anos, a comissão recebeu mais de 900 denúncias de crimes em nove Estados - Goiás, Roraima, Pará, São Paulo, Espírito Santo, Piauí, Amazonas, Alagoas e Bahia. A única operação mencionada em território paulista aconteceu em Catanduva e resultou na prisão de duas pessoas.

Ao todo, 18 diligências foram realizadas fora do Congresso. Em uma delas - não relacionada nominalmente no documento - está a visita do senador Romeu Tuma (PTB-SP) à Franca em maio deste ano. O parlamentar esteve na cidade para pedir a colaboração da delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio, do promotor de Justiça, José Lourenço Alves, e do juiz da 2ª Vara Criminal de Franca, Wagner Carvalho Lima. Todos ligados ao caso.

Para a defesa de padre Dé, o fato de o relatório de 1.995 páginas omitir o processo francano significaria que os senadores não acreditam na culpa do religioso. “Eles devem ter tido acesso a uma série de informações e depoimentos que a defesa mostra serem contraditórios e optaram por não nomeá-lo”, disse Eduardo Caleiro Palma, um dos advogados do padre.

Já as famílias das vítimas foram surpreendidas com a falta de desfecho do caso. “Por que eles não vão pôr para frente isso? Qual é a diferença? É porque é do interior? Não é do Brasil inteiro? Tem que investigar!”, disse a mãe de um dos rapazes que supostamente teria sido vítima de abuso pelo padre.

HISTÓRICO
A CPI da Pedofilia foi criada em março de 2008 para investigar a utilização da internet para a prática de crimes de pedofilia e a relação deles com o crime organizado. Inicialmente prevista para durar apenas 120 dias, os trabalhos da comissão se estenderam por 33 meses.

O relatório final apresentado ontem pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) aponta políticos, religiosos e até magistrados como suspeitos pela prática de crimes de pedofilia. No entanto, não houve indiciamentos. A justificativa, segundo a assessoria de imprensa do parlamentar, seria a de que muitos dos investigados já estariam presos, indiciados ou respondem a processos instaurados pelo Ministério Público (leia mais na página B-2).

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