Existe um ‘pecado social’. O sistema possui uma estrutura maligna. Não me questionem sobre qual sistema estou a ‘acusar’. Apenas pense. O mundo está errado. Se Deus existisse, como ‘eu suportaria não ser um deus’, afirmou Nietzsche.
É certeza absoluta que eu e você fazemos parte de uma minoria que precisa ser reparada pelas muitas injustiças que foram praticadas pelo sistema perverso. Sendo brasileiros, somos uma mistura de etnias e culturas. Assim, devemos nos organizar e requerer do Governo Federal um pedaço de terra, já que somos descendentes de alguma tribo massacrada pelos brancos europeus.
Também, praticamente todos os brasileiros possuem algum ancestral que já foi escravizado pelos já citados malvados brancos europeus. Temos de exigir reparação. Somos dignos de pena. Talvez você não saiba, mas é. Aproveite-se disto.
Se, na ditadura militar, algum parente seu, mesmo que já falecido, estacionou em local proibido e foi multado, era subversivo e foi advertido, guerrilheiro, terrorista ou mesmo ladrão de banco, e foi preso, exija a exemplar reparação.
Tudo o que você fez, ou fez seu ancestral, foi por ‘amor’. ‘Hay que endurecer, peró sin perder la ternura jamás!’. Não existe nenhum argumento que se contraponha ao daquele que já foi tão massacrado, tão injustiçado pelo sistema. Não. Nunca questione o sistema tributário se você ainda não passou fome. Passe fome primeiro e depois comece a reclamar sobre os motivos que o levarão a trabalhar os próximos quatro meses de 2011 só para pagar impostos. Falta crédito em seu celular, sua unha está encravada, faltou à aula na faculdade em virtude de ter bebido e fumado maconha a noite toda? Você é um injustiçado. Exija reparação.
O mundo é cruel. A filosofia apenas o pensou até agora. No momento, urge transformá-lo. Não importa quantas cabeças rolem. Discordâncias na abordagem por certo vão surgir, porém, e apesar delas, não há como não pensar que o mundo enlouqueceu. Basta raciocinar um pouquinho. O indivíduo nesse ‘beautiful people’ brasileiro, não se sente responsável por nenhum de seus atos. A culpa é toda do ‘sistema opressor’, no dizer dos que se sentem líderes. Ninguém precisa mais estudar, ser honesto, trabalhar (palavra maldita, à parte), nem ler o frasco do fármaco que será ministrado ao paciente, nada. Basta se inscrever no ‘bolsa qualquer coisa’. Todos os problemas do mundo serão resolvidos pelo ‘deus Partido’.
Vive-se num mundo onde se busca a maximização do prazer das pessoas, sem pensar minimamente nas consequências. Alguém pensou em tudo isso. A sociedade não chegou nesse beco sem saída por si mesma. Não é a ‘evolução’, ou, acho mais apropriado, ‘involução’. Existem mentes que pensaram e pensam nisso tudo. Uma das correntes ‘filosóficas’ que apregoam o máximo prazer e a desresponsabilização individual, denomina-se utilitarismo, e é de Jeremy Bentham e Stuart Mill, em suas muitas variantes e variáveis. Evidente que o espaço não comporta mencionar sobre as demais correntes ‘filosóficas’ responsáveis por esse caos social.
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora
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