Há pelo menos um mês, os vereadores da Câmara Municipal de Cristais Paulista, integrantes da CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Saúde Pública, estão tomando depoimentos dos usuários e servidores. Já foram ouvidas 27 pessoas, sendo que 20 são funcionários públicos. A CEI foi aberta em outubro. A iniciativa foi tomada por conta de reclamações que apontaram irregularidades, em especial, no Posto de Saúde 1.
Os vereadores Edvaldo Costa (PSDB), André Spirlandelli (PSB) e Ana Rosa Leonardi (PSDB), que compõem a comissão, terão até o dia 26 de janeiro para concluir a investigação. De acordo com Edvaldo, a principal queixa até agora é o sucateamento de aparelhos e a falta de condições de trabalho dos servidores. “Os equipamentos estão ultrapassados e já não dão o diagnóstico correto. Há, ainda, declarações, inclusive, de assédio moral. Estamos muito assustados com esses depoimentos”, disse.
Um dos casos considerados graves pela comissão é a falta de um farmacêutico no período da tarde para a entrega de medicamentos. Como o profissional trabalha até as 13 horas, no restante do dia, segundo Edvaldo, os pacientes recebem a medicação dos atendentes. “Houve casos de pessoas que tomaram medicamento errado por 30 dias”, disse o vereador. Outra declaração dá conta de que um paciente fez um exame que apontava para um infarto, mas, ao passar pelo hospital em Franca, foi constatado que não havia nenhum risco.
Hoje e amanhã, os parlamentares continuam ouvindo pessoas ligadas à Saúde. A intenção é falar com parte dos 80 servidores de Cristais Paulista, além dos usuários da rede pública. Ao final, a Câmara marcará uma audiência com a secretária de Saúde do Município, Consuelo Raiz Segismundo.
O prefeito de Cristais Paulista, Hélio Kondo (PMDB), admitiu ontem que um dos maiores desafios da administração pública é conduzir a área da saúde, mas que o município tem investido para melhorar o atendimento. “Não tive acesso às reclamações, mas posso afirmar que as ações de saúde no município estão sendo muito bem feitas, inclusive, com aparelhagem que antes não tínhamos”, disse.
Para Hélio, as reclamações existem, mas, no caso de Cristais, não há um problema geral. “Antes de ouvir um funcionário ou um munícipe, é preciso ver se tem muita gente reclamando. Se não é genérico, acho pouco para se instaurar uma CEI”. Ele acredita que os vereadores poderiam ter ouvido a administração antes.
Ao final dos depoimentos, a Comissão fará um relatório e poderá encaminhar denúncias ao Ministério Público. Quanto a isso, o prefeito disse estar tranqüilo. “Vou responder com clareza e serenidade”.
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