Janelas Brasileiras
Em nova exposição, a artista plástica Atalie Rodrigues Alves dá continuidade à série que desenvolve desde 2001 e que surgiu a partir de pesquisas que fez em suas viagens pelo País. São 30 trabalhos, sendo 19 esmalte sobre madeira e 11 aquarelas, que retratam janelas de Olinda e João Pessoa, pintadas nos últimos dois anos.
“As janelas estão sempre abertas, com uma vista para o exterior, transportando-as para dentro. Nas janelas de Olinda, há flores de chita no céu ou brotando delas, são estampas que também pesquisei no artesanato regional dos lugares. Nas de João Pessoa, as paredes são rendas (bilro, labirinto, filé), técnicas utilizadas pelos artesãos do nordeste brasileiro”, revela a artista. “Algumas janelas mostram cenas das praias, das falésias, que caracterizam também a paisagem das costas paraibanas”, completa Atalie, que já produziu cerca de 200 obras com esta temática ao longo de quase 10 anos de trabalho.
Citando Miguel Buzzar, professor da USP, a artista pretende que o visitante observe os aspectos visuais das obras. “Na serenidade das cores, há um desmanchar da geometria precisa, emprestando uma sensação ambígua e inquietante de leveza e densidade”, ressalta Atalie.
A artista enfatiza que na arte moderna cabe ao próprio observador tirar suas conclusões. “O visitante deve enxergar coisas novas que o próprio artista nem percebe que possam existir. Janela é uma temática muito ampla, a que artistas importantes se dedicaram, como Picasso e Matisse, e cada um faz a sua leitura”, conclui, afirmando que desta vez as obras não vão ganhar as páginas de um calendário, como aconteceu em 2010.
SERVIÇOS
Exposição Janelas Brasileiras
Local: Laboratório das Artes - R. Cuba, 1099 - Jardim Consolação
Datas e horários: até o dia 28 de fevereiro - de segunda a sexta-feira, das 10 às 12 horas e das 14 às 17 horas - entrada gratuita
Informações: (16) 3727-6600
Sensibilidades
Em 24 obras com técnicas diversas como óleo sobre tela, acrílica e materiais como pedrarias e metais, a artista plástica Sandra Freitas - que este ano teve seu trabalho exposto em Paris - mostra um conjunto harmônico com temas figurativos como cavalos e imagens femininas e também um colorido mais vibrante das mandalas e florões.
A artista revela que suas pinturas são feitas diariamente e a inspiração já faz parte da sua rotina. “Procuro colocar nas telas luzes e sombras que remetam para um envolvimento, sensibilidade entre o observador e a obra”, ressalta.
Sandra afirma ainda que o fato da mostra estar instalada no Espaço Cultural do Shopping do Calçado proporciona ao público visitante um contato mais direto com a arte. “Isto sensibiliza seus sentidos, de maneira que ele possa interagir com a obra, expressando suas emoções e sentimentos”, avalia a artista, agradecendo o convite do Shopping. “Fiquei feliz por poder acrescentar mais beleza e cultura naquele espaço e acredito que atitudes como essa (tão raras na cidade) não só colaboram com a divulgação dos artistas como também trazem benefícios para a comunidade, que tem a oportunidade desse contato artístico/cultural”, comenta.
Luciano Hannouche, superintendente do Shopping do Calçado, faz coro à Sandra. “Aliamos o consumo ao entretenimento, mas com cultura para que a população possa ter acesso e oportunidade de conhecer um pouco dos trabalhos artísticos dos francanos”.
SERVIÇOS
Exposição Sensibilidades
Local: Espaço Cultural do Shopping do Calçado de Franca - Av. Dr. Hélio Palermo, 5001
Datas e horários: até o final de janeiro - de segunda a sábado, das 10 às 22 horas, e domingos, das 13 às 20 horas - entrada gratuita
Informações: (16) 3727-6600
O abstrato lírico de Oscar Kellner
Oscar Kellner, que reside em Delfinópolis, mostra seus dois talentos de uma vez só. São 26 gravuras digitais, no gênero abstrato lírico, impressas em lona impermeável e ainda 13 livros de prosa e verso, entre eles, Fazenda Interior, lançado em novembro do ano passado.
Na exposição, Oscar inova dispensando o uso do pincel, da paleta e da tela, usando os recursos disponíveis em programas do computador. “Desenvolvo trabalhos usando cores obtidas de todas as formas possíveis, tanto de fotografias da natureza como de figuras diversas, além daquelas disponíveis na paleta de cores do Paint”, revela. “Pincelo fragmentos, copio meu próprio tema e o multiplico, enfim, uso as possibilidades que se apresentam com a informática”, completa.
O artista apresenta suas obras em formato de banner, rompendo a tradição da tela, do painel e da moldura. “Configura uma vanguarda no que se refere ao despojamento e ao informalismo em relação às manifestações artísticas acadêmicas”, acredita.
Por meio de seus trabalhos, Oscar quer transmitir aos visitantes alegria, vida, solidariedade, bom humor em descanso visual. “Algumas obras, senão todas, levam a uma reflexão por parte do espectador, que assim interage com o autor, criando, mediante sua interferência mental e com sua própria visão da obra, um novo trabalho. Essa possibilidade é instigante e a liberdade é total por parte de quem vê a obra”, afirma.
Todos os trabalhos estão a venda com preços de R$ 100 a R$ 200 e a renda será totalmente revertida em prol da Apae de Franca.
SERVIÇOS
Exposição Gravuras Digitais: O Abstrato Lírico de Oscar Kellner
Local: Pinacoteca Municipal “Miguel Ângelo Pucci” - R. Campos Salles, 2210, Centro
Datas e horários: até o dia 30 de dezembro - de segunda a sexta-feira, das 8 às 20 horas, e aos sábados, das 9 às 13 horas - entrada gratuita
Informações: (16) 3723-6377
‘Boa Sorte’: codinome esperança
Dezesseis fotos coloridas que mostram a rotina de trabalhadores que vivem no assentamento na Fazenda Boa Sorte, em Restinga, compõem a mostra do fotógrafo Flávio Nascimento, free-lancer da Agência Estado e colaborador das publicações O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde e revistas da Editora Abril.
O fotógrafo conta que o trabalho no assentamento aconteceu por acaso. “Eu estava pensando em fotografar o êxodo rural, e procurava casebres abandonados entre os canaviais em torno de Restinga. Depois de rodar bastante, fiquei meio perdido e encontrei dois assentados andando a pé, o Paraná e o Severino. Ofereci uma carona e acabei conhecendo o assentamento. Eu procurava uma história de abandono do campo e acabei encontrando outra, no sentido justamente oposto - a da luta pela permanência na terra”, explica Flávio.
As fotos foram feitas em 1999, um ano depois da ocupação da fazenda -que tem uma área de três mil hectares - e época das primeiras colheitas. “Antes, era tudo área reflorestada de eucalipto, que pertencera à antiga Fepasa. Foi um trabalho árduo para preparar os campos de plantio e como os meios de que eles dispunham eram rudimentares, impressionava muito o esforço para que a ocupação se efetivasse”, ressalta o fotógrafo, que utilizou negativos 35mm nas fotos coloridas e PB. “Procurei interferir minimamente na cena, em busca da maior naturalidade possível para o conjunto de fotos”, enfatiza.
Para concluir o trabalho, Flávio visitou a fazenda várias vezes. “No começo foi meio tenso porque eles tinham um certo receio de como eu iria usar as fotos. Depois, ganhei a confiança e a amizade das famílias que lutam dia e noite pela independência financeira e inserção social e acabei até participando de churrascos e pescarias”, revela.
SERVIÇOS
Exposição Fotográfica Boa Sorte: Codinome Esperança
Local: Secretaria do Sesi Franca - Av. Santa Cruz, 2.870 - Jd. Ângela Rosa
Datas e horários: até 31 de dezembro - de segunda-feira a sábado, das 9 às 17 horas - entrada gratuita
Informações: (16) 3712-1600
Veja as fotos das exposições:
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