Ainda mergulhado na emoção do amor à natureza, ensinado pela jornalista Sônia Machiavelli na edição da revista Franca 186 anos, peço licença para entrar humildemente no palco, não o da sabedoria em botânica, e sim no da beleza e valores que ela carrega em favor dos pulmões do mundo.
Inspirou-me o “Roteiro para quem ama as árvores” ao falar de amor, de encantamento, para me ater ao mundo sentimento, onde o perfume, beleza e doçura das flores, são capazes de sensibilizar duros corações.
Fui buscar a poesia da primavera rica de cores e aromas do Parque das Flores, maior do mundo em Keukenhof, aonde se vai saindo de Amsterdam, em 30 minutos de carro. O local, no século XV, era herdade de Jacqueline da Baviera, Condessa de Hainaut, Holanda e Zelândia que ali viveu parte de sua curta vida (1401/1436). Foi despojada de poderes e propriedades por seu tio D. João III, Duque da Baviera e Bispo de Liège.
À volta de seu castelo Jacoba van Baviera, mantinha um bosque reservado para caça e amplo jardim de plantas – erva aromática e nobre –, colheita que assumia com prazer para levar à sua cozinha. A tradição explica a origem do atual nome do lugar: a tradução para Keukenhof é jardim da cozinha. A Condessa, embora de vida efêmera, – 35 anos – consorciou-se a quatro maridos tendo somente um filho natimorto.
As mudanças de proprietários fizeram com que a área do velho castelo recebesse repaginação em 1830 de primoroso bom gosto e elevado custo. Inspirado na mais sofisticada linha do paisagismo inglês, o alemão Zocher desenvolveu rico projeto realçando fontes naturais, gramados e canteiros, dignificando a beleza floral a destacar espécies de tulipa trazidas de Constantinopla, sua origem inicial.
Em 1949, por influência do prefeito de Lisse, cidade da região, para criar uma exposição reuniram-se os grandes exportadores de flores da Holanda em Keukenhof, que se repete anualmente sempre com sucesso crescente.
Lamentam, queixosos, seus frequentadores de todo o mundo que o portão de Keukenhof somente se abra por oito semanas no ano – Primavera – para permitir o deslumbramento de olhos em paixão pelos canteiros das muitas espécies de flores onde se realça enorme variedade de tulipas. Sete milhões de bulbos, plantados a mão, são produzidos e comercializados para embevecer pessoas no grande Jardim da Europa, sítio das ruínas do velho castelo Jacoba.
A programação extensa para 2011 em Keukenhof prevê abertura do portão em 24 de março e seu fechamento em 20 de maio, podendo-se recomendar a visita ideal na segunda quinzena de abril. Amar as árvores e cuidá-las, regá-las com dedicada proteção. Amar as flores em deslumbramento, em paixão sugar-lhe a fragrância, gozar-lhe a beleza, dançar em suas cores, divinizar com ela suas mensagens de amizade, de amor e afeto, humaniza o homem.
Garcia Netto
Jornalista
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.