Reportagem de Fernanda Bufoni, da Redação, e Rita Magalhães, do Diário da Região
O médico francano José Victor Maniglia, atual secretário de Saúde de São José do Rio Preto, disse que nunca mais quer saber de veículo de duas rodas. Maniglia teve alta no último fim de semana do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde passou duas semanas internado depois de sofrer um acidente de moto em 12 de novembro na rodovia Transbrasiliana (BR-153), em Ocauçu, região de Marília.
Maniglia pretendia ir a um encontro internacional de motos em Camboriú (SC), junto do filho, que dirigia outra moto. Mas, no cami-nho, ao fazer uma curva, ele teria escorregado com sua motocicleta para baixo de um caminhão carregado com vidro, que trafegava no sentido contrário. O médico teve o braço gravemente ferido e a parte inferior da perna esquerda amputada. Seu filho nada sofreu e ajudou no socorro.
Natural de Franca, o otorrinolaringologista de 63 anos chegou a trabalhar na Santa Casa e teve um consultório na cidade. Em 1994, mudou-se para Rio Preto com a mulher, Regina Pereira Maniglia, 60, para assumir em definitivo uma posição de docente na Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), chegando a dirigir a instituição. Apesar da mudança, Regina conta que o casal ainda visita Franca regularmente. “Pelo menos uma vez por mês vamos visitar minha mãe, que mora na Vila Flores, e minha sogra, no Centro”, disse ela.
Agora, se recuperando do acidente e fazendo duas sessões diárias de fisioterapia, Maniglia afirmou que o período difícil vivido nos últimos dias lhe mostrou que tem muitos amigos que se importam com ele. “Você não imagina a quantidade de pessoas que estão rezando em solidariedade, ligando, comunicando. Muita gente também de Franca”.
Em casa, o médico diz ter dois projetos: a recuperação total da complexa fratura do braço esquerdo e voltar ao trabalho na Secretaria de Saúde, ainda em janeiro. Ele contou que, desde que recuperou a consciência, no dia 19 de novembro, tem acompanhado o andamento da pasta por meio de conversas com a substituta interina, Therezinha Pachá.
Maniglia aguarda uma avaliação da fisiatra Regina Chueiri para decidir seu tratamento médico. A ideia inicial é que ele concilie o tratamento médico do traumatologista Marcos Guedes com o da médica de Rio Preto. “Minha maior preocupação é com o braço, por causa da complexidade das fraturas e porque dói demais”.
Nos primeiros sete dias de internação, o secretário diz que engordou 17 quilos (saltou de 86 para 103 quilos) por causa da grande quantidade de antibióticos e anti-inflamatórios ingeridos durante a semana que ficou sedado.
Nos últimos dias, porém, conseguiu um grande feito: perdeu 23 quilos. “Com uma dieta à base de alimentos não fermentativos, como carne de frango, peixe, legumes e arroz, e muita fisioterapia, baixei para 80 quilos. Precisava disso para minha recuperação”.
O médico afirma que a parte mais difícil dos últimos dias foi o pós-operatório, quando recebeu a notícia da amputação da perna. “Eu não conseguia dormir, ficava acordado o dia inteiro. De uns quatro, cinco dias para cá, estou dormindo bem, entendi o que aconteceu”.
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