O Governo Federal por intermédio do Conselho Nacional de Justiça está divulgando intensa companhia institucional incentivadora de conciliação. Isto porque o governo deseja diminuir o número de processos e demandas que são apresentados nos inúmeros tribunais do nosso País.
A campanha procura evidenciar o quanto é importante a reconciliação, evitando-se pendências que se arrastam pelo tempo. A esse respeito cabe lembrar um aforismo que sempre se diz por aí: ‘mais vale um péssimo acordo que uma boa demanda’.
Em síntese, o propósito é o mesmo. Evitar-se a longa pendenga que toma tempo e recursos financeiros. Contudo, se formos ao Evangelho de Jesus, verificaremos que Nosso Mestre foi o primeiro a postular a reconciliação. Não só postulou como ensinou o caminho que deveríamos seguir para atingir os nossos objetivos. Disse o Mestre: ‘Reconcilia-te com o seu inimigo enquanto estás a caminho com ele’. Na nossa visão espírita, reconciliar com o inimigo enquanto estamos reencarnados na mesma experiência física, porquanto depois, aconselhando-nos a que perdoássemos ‘setenta vezes sete vezes’, isto é, infinitamente, cada falta que alguém cometesse contra nós.
No ensinamento do Mestre, há mais vantagem em perdoar do que permanecer no ódio. Quem perdoa, desvincula-se dos fatos e das pessoas. Quem permanece no desejo de vingança permanece atrelado aos fatos e às pessoas. Perdoar, portanto, é mais vantajoso. É o perder para ganhar. Perder do ponto de vista material, muitas vezes, mas ganhar do ponto de vista espiritual, emocional, sempre. É o que nos ensina Jesus quando afirma: ‘Amai os vossos inimigos. Fazei o bem aos que vos ofendem. Orai pelos que vos perseguem e caluniam’.
Se não analisarmos estas palavras do ponto de vista da evolução espiritual, elas parecem loucuras. No entanto, convocam-nos ao amadurecimento espiritual; à libertação das questiúnculas terrenas para a superação do egoísmo que ainda reside na nossa alma. A receita de desprendimento espiritual está exarada no Evangelho com a sublime inspiração do Nazareno quando diz: ‘ Se alguém vos bater na face direita, oferecei a outra”. Não é o que estamos acostumados e incentivados. Costumamos reagir com mais violência à violência perpetrada contra nós, mas, sem dúvida, há mais coragem em não reagir.
Gandhi, o iluminado libertador da Índia, repetindo Jesus, propunha a ‘violência da não violência’. Para conseguir a plena reconciliação, Jesus recomenda: ‘Se alguém te pedir a túnica, dá, também, a capa. Se te pedir para andares mil passos, anda mais dois mil. Não resistas ao mal’. Não está aí evidenciado o caminho da reconciliação? Não está evidente, nestes ensinamentos, o caminho que devemos palmilhar para edificar definitivamente, a fraternidade na Terra?
Sem seguirmos os ensinamentos contidos nos Evangelhos será impossível conseguirmos a reconciliação, tão necessária para que, além da fraternidade, seja implantada a paz, sonho almejado de todos nós.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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