O rompimento de uma adutora no Rio Canoas, manancial que abastece 80% de Franca, deixou a cidade mais uma vez sem água. O problema ocorreu na noite de quinta-feira, por volta das 23 horas, e desde a manhã de sexta-feira os francanos sofreram com o desabastecimento. Mais de 200 bairros e aproximadamente 90 mil imóveis (80% da cidade) ficaram com as torneiras secas e os pontos mais altos do município podem continuar sem água hoje. Jardim Aeroporto, Leporace, Vera Cruz, Paulistano e Vila Aparecida estão entre os afetados ontem. Apenas a região central, ou 20% do município, continuou com abastecimento normal por causa dos hospitais existentes nos bairros dessa área. O complexo do Hospital do Coração e do Câncer adotou contingência e apenas a área hospitalar permaneceu sem cortes de água.
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) iniciou os reparos no local na quinta-feira e encerrou os serviços ontem à tarde. Às 16 horas, antes do previsto - das 18h às 20 horas -, a adutora estava reparada. As três bombas do Rio Canoas entraram em operação e voltaram a abastecer os reservatórios.
Mas o fornecimento de água deve ser totalmente normalizado apenas na noite de hoje. “Quando a alimentação dos reservatórios é retomada não há uma recuperação imediata das redes da cidade toda. São cerca de 1.200 quilômetros de rede e não são preenchidos de imediato, por isso demorará mais a normalizar”, disse João Comparini, superintendente da Sabesp.
Em julho de 2008 a cidade viveu situação semelhante com o rompimento de uma adutora após fortes chuvas. Desta vez, o problema ocorreu em outro ponto, distante um quilômetro do anterior. O trecho fica na estrada que liga Franca a Claraval (MG), no km 10. O superintendente João Comparini afirmou que o estrago não tem relação com a idade do sistema, que tem 26 anos de existência, mas com o processo de transporte da água. “A tubulação é resistente. Com a pressão elevadíssima na adutora que transporta água, a tubulação acaba se movimentando. A adutora tem 15 quilômetros de extensão e duas mil juntas entre um tubo e outro.
Provavelmente esse anel se rompeu com a pressão, causando o vazamento”.
Com o rompimento, a alimentação dos reservatórios foi interrompida de imediato e permaneceu suspensa até a conclusão dos reparos. Até meio-dia de ontem, Franca deixou de receber 40 milhões de litros de água.
FORÇA-TAREFA
O derrame de água provocou um buraco de dez metros de diâmetro e três de profundidade. Doze máquinas, entre caminhões e escavadeiras, e mais de 25 homens foram mobilizados para consertar a adutora. A Prefeitura e a Emdef (Empresa Municipal de Desenvolvimento para Franca) fizeram parte da força-tarefa montada para execução dos reparos na tubulação do Rio Canoas. O local será aterrado para estabilizar o solo. Foi preciso abrir uma estrada improvisada para ter acesso ao local. “Esse rompimento é diferente do de 2008 porque a tubulação está mais rasa, mais próxima da superfície, sem o lençol freático sobre ela. A intervenção será mais rápida”, garantiu Comparini.
A adutora é inspecionada pela equipe técnica da Sabesp de uma a duas vezes por semana. Segundo Comparini, a inspeção havia sido feita na segunda-feira, 6, e não havia sinais de vazamento. Anteontem, às 17 horas, técnicos desconfiaram de algum vazamento, mas que não seria grave. A Sabesp decidiu que esperaria até domingo para intervir porque o consumo é menor neste dia. Às 23 horas, a adutora rompeu.
ECONOMIA
Os sábados são tradicionalmente os dias em que os francanos mais gastam água porque muitas pessoas aproveitam a folga para faxinar a casa e lavar as roupas. O gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia, pede para as pessoas economizarem. Como pode faltar água nos pontos altos, porque é mais difícil de serem abastecidos, a Sabesp manterá caminhões-pipa para atender os moradores. A solicitação pode ser feita pelo telefone 0800 055 0195.
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