A hora da decisão


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Juliana Perente Otávio, Maiara Tauane Leal e Júlia Luz Lemos sofreram as incertezas da escolha profissional
Juliana Perente Otávio, Maiara Tauane Leal e Júlia Luz Lemos sofreram as incertezas da escolha profissional

Ainda que a escolha de qual profissão seguir não seja obrigatoriamente definitiva, o período de definição é marcado por ansiedade, dúvidas e pressão para muitos adolescentes. Os vestibulandos se preparam para a segunda fase dos principais vestibulares do País e você, que acabou de carimbar o passaporte para o terceiro ano do ensino médio em 2011, já deve começar a pensar na sua futura profissão. Para ajudar na decisão e também a minimizar os efeitos do dilema, uma alternativa é buscar a orientação profissional.

Em meio ao turbilhão de incertezas e opções, a estudante do terceiro ano do ensino médio Júlia Lemos Luz, de 17 anos, tomou uma decisão atípica para o momento: não prestar vestibular. A atitude chegou para evitar que uma escolha mal feita atrapalhasse sua futura vida profissional. “Como não tinha certeza do que queria, decidi não prestar”.

Mas nem de longe ela se acomodou e adiou a escolha para o ano que vem. “Meu pai é médico e conhece um psicólogo em Belo Horizonte, especialista em orientação vocacional. Passei três dias lá, fui atendida e me decidi”. Escolheu turismo.

Júlia disse acreditar que aos 17 anos é muito cedo para escolher o que se vai fazer da vida e cita as pressões típicas da época. “Além dos pais, tem os amigos que ficam perguntando o tempo todo o que você vai fazer e ainda os professores, que só falam em vestibular. O ‘bom dia’ já é o vestibular”. Ela propõe uma mudança: diz que vestibular deveria ser prestado um ano após a conclusão do ensino médio. “Já temos as provas do terceiro ano para estudar e ainda o vestibular. Deveria ter mais um ano de cursinho extensivo e, depois, as provas do vestibular”.

Juliana Perente Otávio, 17, conta que não chegou a se incomodar com as dúvidas sobre seu futuro profissional, já que sempre quis fazer Direito. Ou melhor, “sempre” até chegar o momento real da escolha: ela está prestando Direito, mas também Administração e ainda tenta carreira militar na Academia do Barro Branco. “Eu sempre quis fazer Direito, mas vi uma reportagem sobre Administração e gostei muito. Foi aí que surgiu a dúvida”. Ela se inscreveu em seis vestibulares.

Ao contrário das colegas, a estudante Maiara Tauane Leal, 17, viu em casa a inspiração para a escolha de seu futuro. Filha de um engenheiro civil, está prestando vestibular para a mesma profissão do pai e também para arquitetura. “Sempre gostei da área. Agora, meu pai me indica fazer engenharia, mas eu gosto mesmo é de arquitetura. Entendo a orientação, por causa do campo de trabalho que ele diz ser mais amplo. Já a minha mãe fala para eu fazer o que eu quiser mesmo. Acho (essa idade) cedo para essas escolhas”.


Inseguros devem buscar ajuda de um profissional

A psicóloga Márcia Ricci Maia, especialista em orientação vocacional e membro da Abop (Associação Brasileira de Orientação Profissional), afirma que um caminho para dirimir as dúvidas é buscar um profissional que ajudará o jovem a pensar a carreira de forma mais ampla. Ela afirma que a pessoa indecisa - aquela que não sabe que roupa vestir, qual cor prefere, aonde ir - é a mesma que terá mais dificuldades na escolha profissional. “Toda pessoa insegura deve buscar ajuda”.

Outra orientação é o jovem saber o que acontece nas áreas que ele pretende cursar - como salário, mercado, campo, espaço para inovação e desenvolvimento. Márcia, no entanto, disse acreditar que o jovem de hoje está muito bem informado quanto às profissões e que o maior entrave é mesmo a insegurança. “A pessoa que diz muito o termo ‘e se’ precisa ser bem orientada. O profissional da área vai trabalhar a segurança no sentido de tirar a responsabilidade da ‘escolha para a vida toda’”.

A psicóloga afirma que a proximidade com os pais e o diálogo são essenciais. “Os pais devem estar sempre por perto. Por ser uma decisão sempre difícil, a orientação é fundamental. O que acontece (e não deveria acontecer) é que muitas vezes os pais querem se realizar através da escolha do filho”, disse.

A psicóloga afirma que outro obstáculo eventualmente “plantado” pelos pais é que eles estão mais acostumados às carreiras tradicionais, como direito, medicina e engenharia, e desconhecem profissões atuais que oferecem boas oportunidades no mercado. “Isso acaba confundindo muito os filhos, porque os pais querem algo que conhecem - não apóiam o filho que, às vezes, está buscando coisas novas”.

 

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