Alto lá!


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Há um clima de descontentamento no ar. Franca, capital do basquete do País, está amuada, entristecida, descrente, dividida entre o respeito que deve a seus ídolos e a necessidade de cobrá-los duramente.

Alto lá! Estamos enfrentando crise, sim, mas deve ser crise de busca de caminhos, e não de confrontos. Há gente que pensa com o intestino mas é dos que praticam a razão que precisamos agora. O basquete francano é paixão, coisa de pele e herança de títulos e vitórias que também não foram alcançadas sem guerras dolorosas. O que vivemos, agora, é o tempo histórico de uma nova e indispensável revolução, necessária e irreversível.

Lembro-me de quando Pedroca passou o bastão de comando da equipe a Hélio Rubens. O atleta ainda estava em atividade, com mais de 40 anos. Apesar de saber-se bem, aceitou a herança de Pedroca, aquele que ensinava que não temos adversários que possam nos bater se nós próprios nos superarmos.

Deu início a uma carreira ainda mais considerável e vencedora do que houvera atingido como jogador. Tornou-se, merecidamente, mito. Os brasileiros não sabem bem o que isso quer dizer. Não cultua suas referências. Hélio é, e poucos sabem, um dos 100 mais importantes nomes do esporte mundial do século XX, eleito e reconhecido como tal por jornalistas, técnicos, atletas das mais variadas modalidades e de todos os países.

Suas conquistas junto aos grupos que montou e treinou são insuperáveis. No ginásio Poliesportivo estão placas de registros que garantem: não há, no País, equipe mais tradicional, de maior longevidade e nem com tantos títulos conquistados. Méritos que jamais serão entendidos sem a saga construída por ele, seus irmãos, familiares, atletas que atuaram sob seu comando e diretorias resolutivas e proativas.

Chegou à Seleção Brasileira. Ciúme e pressão por resultados imediatos o tiraram, não sem antes conquistar o Pan-Americano da modalidade frente à quase sempre imbatível seleção americana, em Winnipeg, no Canadá, 1999.

Deixou Franca atraído por projeto carioca de preparação de atletas olímpicos. Ganhou mais títulos por lá. Foi para Uberlândia, sempre acompanhado pela base de sua equipe - Helinho, Rogério, Márcio Dornelles - e, prova contundente de sua competência, mais títulos.

Quando Sidnei Rocha o ‘reimportou’ para Franca entregando-lhe o comando de esforços para ‘devolver a auto-estima esportiva à cidade, conquistar títulos e manter viva a história centenária do basquete francano’, Hélio vislumbrou novamente a oportunidade de cuidar do sonho de sua vida: a implantação, aqui, do Pólo Referencial de Basquete, com uma universidade da modalidade.

Discordo e sei que a maioria dos francanos está comigo frente à triste tentativa de alguns em taxarem Hélio, Helinho, Rogério e Márcio Dornelles de ‘cadáveres’ de Franca, do Vasco ou de Uberlândia. Respeito é o mínimo que se deve a vencedores de tantas e tão representativas guerras, mas, o tempo passa e as cobranças ficam mais fortes ditadas por esse mundo novo, repleto de competidores diferenciados.

A VOZ DO POVO
Reflito aqui, para ajudar no debate sobre razões e explicações para a crise de nosso basquete, a voz do povo, representada numa súmula de conteúdos de centenas de manifestações enviadas ao portal de jornalismo deste GCN: (1) Hélio Rubens tem que reeditar Pedroca e transferir a Helinho ou a um dos cinco técnicos francanos de berço ou por terem aqui sido formados - que, comandando equipes de outras cidades - hoje são experientes e vencedores; (2) Helinho, se não suceder Hélio pai, deve se unir a Rogério e Márcio Dornelles, fazendo diferença de experiência na ocasião das grandes decisões, mas deixem de ser a espinha dorsal da equipe nova que se precisa projetar imediatamente. Neste caso, as cartas dizem: ‘não pensem Helinho, Rogério e Dornelles que esta cidade e os francanos não os respeitam ou os rejeitam’. Ao contrário. A linha de pensamento é: nossos veteranos são profundamente respeitados, mas sucessivas derrotas arranham tudo o que já fizeram e, mais cedo ou mais tarde, vão colocá-los na mira de tiro. (3) As críticas, por mais pesadas que sejam, são escritas com palavras escolhidas a dedo. De novo, percebe-se o desejo de não ferir Hélio, Helinho, Rogério e Márcio e a consideração que merecem; (4) Das mensagens, também fica claro: a torcida, ‘nosso sexto jogador’, não quer mais ser entendida como suporte apenas dos momentos difíceis. Quer ser respeitada. E ouvida.
Em resumo: Hélio Rubens deve ser guindado a ‘manager’, principal executivo de um plano para alçar o Franca Basquete à condição de principal clube de basquete das Américas. Não deve perder sua função remunerada, já que, quase por unanimidade, é entendido como alguém a quem se deve o mais profundo reconhecimento. E mais: ‘deve ter estátua em praça pública’.

FERMENTO
Ao pararem, devem estes ídolos serem imediatamente integrados na equipe dirigente do superclube profissionalizado que se deve criar para manter de pé a paixão da gente dessa terra pelo esporte que mais projetou a cidade, mundialmente.
Às autoridades e patrocinadores, a voz do povo também se manifesta, entendendo que devam facilitar e aplainar os caminhos de Hélio Rubens Garcia, a fim de que ele possa utilizar sua representatividade para empreender - e vencer - luta que resulte na consolidação da cidade como pólo brasileiro da modalidade. A força do esporte tira da vida bandida, por todo o Brasil, milhares de jovens.
Por último, recado a Benite, Dedé, Drudi, Penna e Probst. Há mérito no esforço e na competência técnica com que têm desenvolvido trabalho em quadra. Já os consideram o fermento da nova equipe que a cidade precisa e, mesmo em meio às dificuldades deste momento, rendem-se a vocês, pedindo que não esmoreçam. Sábio, o povo. Com essa atitude, lembram que soluções tardam, mas não faltam.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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