Morre Chafik Felippe, conhecido professor de desenho e artes


| Tempo de leitura: 3 min
Chafik Felipe será sepultado hoje, 8h30, no Cemitério da Saudade
Chafik Felipe será sepultado hoje, 8h30, no Cemitério da Saudade

Morreu ontem, depois de internação de uma semana no Hospital Regional causada por insuficiência respiratória, o conhecido e respeitado professor Chafik Felippe. A causa da morte foi parada cardiorrespiratória.

Tinha 86 anos. Nasceu em Pedregulho, filho de José Felippe e Honória Abud Felippe mas foi em Franca que o professor Chafik viveu a maior de sua vida tornando-se conhecido e referencial em sua área, o Desenho Artístico, Geométrica e Mecânico.

Fez seu estudos na Escola Profissional ‘Júlio Cardoso’. Aos amigos da época dizia que pretendia ser desenhista e arquiteto. Não seguiu essa trilha. Logo após formar-se, mereceu convite para tornar-se professor de Desenho no Colégio do Triângulo Mineiro, em Uberaba (MG). Lá, também ministrou aulas no ginásio estadual e no Senai. Só depois de tomar gosto pelo ensino submeteu-se a concurso para ingresso definitivo no magistério. Após conseguir seu registro, outro convite o devolveu a Franca.

Foi substituir os docentes de desenho da Escola ‘Torquato Caleiro’, Júlio César D’Elia (elevado ao cargo de vice-diretor da escola) e Nádia Luz, transferida para vitória, no Espírito Santo. Venceu, nos anos seguintes, outro duro desafio: seu registro de magistério não valia em São Paulo. Prestou outro concurso, desta vez no Estado e, dentre 22 candidatos francanos, foi chamado a efetivar-se.

Peregrinou por algumas cidades antes de tornar a Franca.

Ministrando aulas, não deixou de adquirir conhecimentos novos. Formou-se em Educação Artística pela Universidade de Ribeirão Preto. Tal foi seu aproveitamento que, também a convite, assumiu, na Universidade, aulas de Fundamento das Linguagens Visuais.

Chafik foi um dos professores mais aplaudidos da Escola ‘Torquato Caleiro’, de Franca. Integrou grupo de professores que proporcionaram à escola ser reconhecida como uma das melhores escolas públicas do Estado, já sob o comando de Júlio César D’Elia como diretor.

As aulas de desenho geométrico de Chafik eram aguardadas e temidas. Chegava à sala munido de longas réguas, esquadros e até um compasso, tudo em madeira. O aprendizado era moderno. Chafik, antes de apresentar triângulos, cúpulas e cálculos complexos, deixava fluir sua veia artística e comentava sobre construções históricas, detendo-se em porções delas nas quais os conceitos a serem ensinados foram aplicados quando das obras.

De quando em quando, ameaçava o aluno que não conseguia acompanhar, brandindo a longa régua de madeira ou atirando um pedaço de giz. Nada que tivesse feito quaisquer vítimas ou causado constrangimentos ao longo de toda a sua carreira.

Também pintava. Suas telas de personagens eram consideradas autênticas documentos fotográficos. Outras registravam prédios e momentos históricos da vida da cidade.

Foi um dos organizadores do Centro do Professorado Paulista da Região de Franca. Fundou a Escola de Cultura Artística, embrião da Pinacoteca Municipal que levou o nome do artista ‘Miguel Ângelo Pucci’, por sugestão sua. Criou propostas artísticas reconhecidas, como o ‘Centenário de Santos Dumont’, ‘Seu filho é um Artista’ e ‘A infância pede a benção ao idoso. Apresentava-se como pesquisador histórico. Levantou dados e deixou duas excelentes obras de resgate de memória (O bairro de Miramontes e Vila Aparecida).

Nunca deixou de lutar para que as escolas públicas voltassem a ensinar Desenho. Chegou a ir, pessoalmente, à Câmara de 2º grau do Ministério da Educação, com a solicitação. O parecer da Comissão foi favorável mas a atividade nunca voltou à grade de ensino.

Dedicou sua vida a cuidar da mãe, primas e irmã. Chegou a vender parte de seu patrimônio, para fazer frente a despesas. Decidiu-se por oficializar, ano passado, união civil com Márcia Cândida Barbosa Felippe, que conheceu há 6,5 anos quando a contratou como cuidadora de uma parente sua. Na casa onde moravam, ficou seu ateliê de pintura e seu acervo artístico.

Chafik está sendo velado desde ontem no São Vicente de Paulo. O sepultamento ocorrerá hoje, às 8h30, no Cemitério da Saudade.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários