Depois de anos sem que houvesse uma ação efetiva para conter a entrada de drogas e armas que abastecem o crime organizado nos grandes centros do País, como Rio de Janeiro e São Paulo, autoridades policiais passam a direcionar seus esforços para a extensa faixa de fronteira do Brasil. Inicialmente, o policiamento na fronteira com Paraguai e Bolívia - por onde entram mais de 80% das drogas e armas que abastecem o crime organizado no País - está sendo reforçado como apoio às ações contra o tráfico no Rio de Janeiro. O objetivo do governo federal é conter tanto a entrada de qualquer tipo de apoio logístico quanto eventual fuga de criminosos. A medida integra a Operação Sentinela, que tem apoio logístico das Forças Armadas e envolve cerca de 1.500 homens da Polícia Federal, Força Nacional de Segurança, Polícia Rodoviária Federal e tropas especiais dos Estados.
O cerco promovido pela operação, segundo cálculos do governo, já teria feito o preço das drogas triplicar desde março, causado prejuízos de pelo menos R$ 50 milhões apenas à facção Comando Vermelho, que atua no Rio. A iniciativa está vigente desde abril e já passou por regiões fronteiriças dos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Acre, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Roraima, Para e Amapá. Mais de 1.200 pessoas já foram presas. A polícia do Paraguai também auxilia a operação, principalmente nas ações de barreiras fixas e móveis em rodovias, estradas, rios, lagos e caminhos alternativos. A operação não tem previsão de término; por enquanto, contudo, o foco imediato será o combate ao crime organizado no Rio, informou a PF. Só no Complexo do Alemão, em pouco mais de uma semana, por exemplo, já foram apreendidas mais de 40 toneladas de drogas.
Já era hora de uma maior atenção para com as fronteiras do Brasil. Há décadas é sabido que traficantes se aproveitam da extensão da divisa e utilizam rotas (muitas vezes em meio à floresta) para trazer drogas e armas para o Brasil. Dentro do País, fica fácil a distribuição. Agora com o reforço na vigilância, está cada vez mais complicado transportar não apenas armas e drogas mas também produtos de contrabando (como cigarros e eletroeletrônicos) pelas chamadas fronteiras secas. E este é o principal caminho para desferir um golpe de morte no tráfico de drogas, principalmente no Rio de Janeiro. O crime organizado não pode encontrar facilidades pois, do contrário, cria uma situação insustentável como a que vinha sendo verificada no Rio. A ocupação da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão foi atitude corajosa mas se não contar com o respaldo nas fronteiras, dificilmente poderá tornar efetiva a ‘limpeza’ feita. Há ainda outras medidas que precisam ser tomadas com urgência, expandindo a ação do Exército para outros pontos dominados pelo tráfico no Rio e outras capitais. A instituição da chamada tolerância zero - como já se observou em Nova York, poderá trazer resultados positivos no combate ao crime -, com o endurecimento das penas e o confinamento dos chefes do tráfico em prisões de segurança máxima concorrerão para livrar o cidadão do convívio diário com bandi-dos.
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