Jorge Kairala, de ‘A Lâmina de Ouro’, morre aos 94 anos


| Tempo de leitura: 3 min
Jorge Kairala será sepultado hoje, 9 horas, no Cemitério da Saudade.
Jorge Kairala será sepultado hoje, 9 horas, no Cemitério da Saudade.

Morreu ontem no Hospital São Joaquim, o conhecido empreendedor e comerciante Jorge Calixto Kairala, aos 94 anos. Foi conduzido à casa de saúde após sentir-se mal em seu apartamento. Pouco tempo depois da internação, iria a óbito. Segundo sua família, Jorge estava muito debilitado pela progressão do Mal de Parkinson e em consequência de fratura de fêmur, ocorrida há mês e meio, quando foi necessário que se submetesse a procedimentos médicos adequados mas de difícil assimilação à sua idade.

Era viúvo de Hiva Mellem Kairala com quem teve 3 filhos (Roberto, cirurgião vascular, casado com Vera; Ricardo, engenheiro eletrônico, casado com Sandra, e Reinaldo, cardiologista, casado com Silvana), 9 netos (Renata, Rafael, Rodrigo, Alexandre, casado com Mariane; Leonardo, falecido; Hiva, Elisabeth, Bruno e Bárbara) e 2 bisnetos (Ana Beatriz e Victor). Construiu segundo matrimônio com Shyrley Ferreira Kairala e com ela viveu os últimos 35 anos de sua vida.

Ainda muito jovem Kairala dedicou-se a seu primeiro empreendimento próprio, uma loja de material odontológico, tendo Agnello Morato como associado. A experiência adquirida no setor permitiu-lhe, em 1941, abrir aquela que se tornaria uma das mais tradicionais e conhecidas empresas francanas, A Lâmina de Ouro, quase uma “loja de departamentos” moderna, no prédio “Baronesa da Franca”, praça Barão da Franca. “Meu pai desbravou o conceito de loja moderna. Em A Lâmina, os dentistas francanos encontravam tudo para consultórios. O próprio nome da empresa surgiu do material – lâminas de ouro – que se usavam, à época, para reconstruir dentes e fazer obturações. Teve também, no mesmo endereço, uma das mais completas discotecas da história da cidade, material para laboratório de pesquisas e de química, insumos e equipamento fotográfico, perfumaria fina, produtos e equipamentos para cosmética profissional”, disse Roberto.

Ao longo dos anos, Kairala não parou. Trouxe à sua loja o primeiro aparelho de televisão para demonstração – mostrou alguns lances de transmissão da Copa do Mundo de 1958 e amplificou o som em cornetas voltadas para a praça. Queria vender televisores e criou fórmula para isso: convidou o técnico José Rosa e, juntos, instalaram uma antena retransmissora de televisão em Santa Rita do Passa Quatro, facilitando a captura de sinal em Franca. Aí iniciou a comercialização que pretendia por aqui. Fechou a empresa depois de 45 anos – 1988 – quando se aposentou.

Foi também rádio-amador e aficcionado por cinema. Deu origem a um cinema público após adquirir um projetor. “Lembramo-nos, em família, que a primeira projeção feita com o aparelho foi em um lençol, em casa, só para amigos”, disse Reinaldo. Tinha filmadoras e as utilizava para registrar eventos especiais da cidade. Convidava, nestas ocasiões, João Roberto Corrêa para narrar, Lenísio e Demétrio Soares para operarem o equipamento. Fez dezenas de registros históricos que estão, hoje, espalhados pelos museus francanos.

Comerciante nato e amigo com quem se podia contar, Kairala tornou-se figura de destaque na vida francana, sempre procurado para integrar-se a causas de benemerência e sociais. Não se fez de rogado. Foi, várias vezes, presidente da AEC. Em uma das gestões, adquiriu com seus companheiros, para o patrimônio do clube, a área que se tornou o Castelinho. Participou da fundação da ACIF e da CDL. Presidiu o Clube Monte Líbano. Foi diretor, por diversas vezes, da Santa Casa de Misericórdia. É conhecida a história de que colocou no bolso do paletó de Paulo Maluf, em certa época, bilhetinho pedindo ampliação para a Santa Casa de Franca. Verdade ou não, o político autorizou a obra.

Maçon, participou da Loja Independência III e fundou a 3 Colinas, pela qual trabalhou a fim de dar sede própria na Avenida Ismael Alonso Y Alonso. Dizia à família e à mulher, Shyrley, que queria, ao morrer, ser velado lá.

O jornal Comércio da Franca tinha, em Jorge Kairalla, seu mais antigo assinante. As primeiras campanhas de assinatura se deram na década de 50.

Jorge Kairala viveu restrito a seu apartamento nos últimos anos. Teve o cuidado intenso de sua mulher e filhos. Seu corpo está sendo velado na Loja 3 Colinas e o sepultamento acontece hoje, 9 horas, no Cemitério da Saudade.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários