COP 16


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O protagonismo de organizações representativas dos setores produtivos é estratégico para reverter o ceticismo mundial quanto às negociações internacionais relativas à emissão dos gases de efeito estufa, depois dos frustrantes resultados da COP 15, na Dinamarca. Por isso, os técnicos do Comitê de Energia e Mudança do Clima da Fiesp trabalharam de modo intenso, incluindo presença nas reuniões prévias de negociações na Alemanha e na China para preparar representação da entidade na Conferência do Clima do México (COP 16), em Cancun, iniciada em 29 de novembro e a terminar no próximo dia 10.

É primordial o engajamento da indústria na causa da sustentabilidade. A Fiesp tem promovido numerosas ações para o fomento da economia de baixo carbono. Com esse propósito, estabeleceu plano de ação voltado a incentivar fábricas a realizarem inventários de gases de efeito estufa expelidos, visando à diminuição. Estimula, ainda, a transferência de tecnologia de produção limpa às médias, pequenas e microindústrias.

A entidade também está produzindo conteúdos, como o Guia de Introdução às Negociações de Mudança do Clima, compêndio substantivo sobre esse grande desafio contemporâneo. Em 2009, elaborou o estudo Mudanças Climáticas: o Valor das Convergências, entregue ao ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2007, por sua atuação na área ambiental.

A Fiesp acompanha as negociações nacionais e internacionais para identificar impactos, questões legais e oportunidades para o setor produtivo. Ademais, participa dos fóruns que defendem ou abordam a manutenção da competitividade setorial e promove seminários sobre o assunto, ampliando sua discussão.

O parque manufatureiro paulista tem, ainda, defendido providências e posições que considera cruciais. Uma delas é inegociável: nenhuma nação ou bloco econômico deve utilizar o argumento das mudanças climáticas para promover o recrudescimento do protecionismo. Outra de nossas propostas, esta de caráter estrutural, é a manutenção da geração hidrelétrica como a principal componente da matriz energética, por ser uma das mais limpas.

Em caráter complementar, é preciso ampliar o uso de fontes de eletricidade com baixo nível de emissão de carbono, reduzindo-se a utilização das térmicas.

Outras medidas importantes são o incentivo à eficiência energética, ao consumo racional e à expansão do uso de biocombustíveis.

Nosso País, por seus avanços nessas áreas e capacidade de produzir energia limpa e renovável tem grande capacidade de influência nesse COP 16, herdeira das lições de casa não concretizadas na Dinamarca.

É preciso defender os acordos inerentes à sustentabilidade. A sorte está lançada!

João Guilherme Sabino Ometto
Engenheiro, coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas da Fiesp

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