O cidadão francano orgulha-se de sua terra, hoje conhecida no mundo todo por causa da indústria calçadista, uma referência de produtos de qualidade; por causa do café, considerado um dos melhores do mundo; e por causa do basquete, considerado o mais tradicional do País, cuja história remonta ao início do século passado. Afinal, em 1908, mais de cem anos atrás, foi disputada a primeira partida do chamado bola ao cesto na cidade. Enquanto a indústria calçadista vive um momento bastante positivo, com a criação de empregos e as vendas aquecidas, a cafeicultura continua produzindo um produto de qualidade internacional, embora a área plantada venha se reduzindo nas últimas décadas. Quanto ao basquete, a fanática torcida francana ainda não sabe o que acontece: nos últimos anos o time caiu de produção e, mesmo diante de contratações auspiciosas no começo da temporada, não consegue reproduzir em quadra a qualidade que se espera da mais tradicional equipe de basquete do País.
A situação é tão difícil a ponto de o prefeito Sidnei Rocha ameaçar retirar a verba que a municipalidade destina à equipe (R$ 320 mil anuais) por conta do desapontamento com a campanha do Vivo/Franca no hexagonal final da Liga Sul-Americana. Depois de vencer as três partidas da primeira fase do certame, realizadas no Poliesportivo, o Franca Basquetebol Clube perdeu duas vezes no Rio de Janeiro (para o Boca Juniors, que havia derrotado em Franca, e para o Flamengo) e foi eliminado da disputa. Uma agremiação que conta com 11 títulos de campeão paulista (13 vices) e 10 de campeão brasileiro (7 vices), além de 6 campeonatos Sul-Americanos, 4 Pan-Americanos e dois vice-campeonatos mundiais - tornando-se referência ao basquetebol mundial - não pode mais viver na situação que se repete a cada temporada: jogadores vêm mas não conseguem corresponder em quadra ao que se esperava no momento de suas contratações. Tem razão o prefeito em cobrar: o dinheiro investido na equipe é do contribuinte (e torcedor) francano e não pode mais ser aplicado a fundo perdido, sem que produza resultados.
Enquanto equipes surgem e desaparecem no cenário sul-americano, inclusive grandes potências de décadas passadas - o Obras Sanitarias da Argentina, o Sírio e o Monte Líbano no Brasil são exemplos disso -, Franca continua mantendo o seu basquete, mesmo que não seja mais o grande vencedor que o torcedor francano se acostumou a ver em quadra. É chegado o momento em que todos (a começar pela administração municipal, passando pelos dirigentes, comissão técnica e jogadores do Vivo/Franca até chegar ao torcedor) se unam e busquem uma solução para que o basquete francano retome a sua pegada de vencedor. Quem não estiver imbuído da paixão que a modalidade esportiva desperta em todo o município deve pedir o boné e abrir espaço para quem realmente tenha o espírito de luta que o time merece. O que a torcida não aceita são os altos e baixos verificados nos últimos anos. E o prefeito Sidnei Rocha, que agiu mais como torcedor, exige, como qualquer torcedor, resultados e seriedade para com a camisa do time de Franca. Assim como ele, milhares de outros francanos também reagem, exigindo respeito para com a maior paixão da cidade.
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