Atenção, pais e educadores para as três notícias que se seguem. Até parecem ações coordenadas. Mas ocorreram em cidades diferentes, distantes mais de 400 quilômetros uma da outra.
Quarta-feira, 24 de novembro: Em Franca, alunos da escola “Ângelo Scarabucci” decidiram comemorar a última prova do ano letivo rasgando e ateando fogo nos cadernos e em apostilas distribuídas pelo Governo do Esta do. A manifestação deixou a Rua Rosa Delmont, na Vila Scarabucci, tomada por folhas de papel e, em alguns pontos, por cinzas. Diretora, professores, vizinhos da escola e alguns estudantes ficaram revoltados. (Matéria publicada pelo Comércio da Franca, 25/11)
Quinta-feira, 25 de novembro: Em Sorocaba, alunos da Escola Estadual Prof. Ezequiel Machado Nascimento, no Jardim Santa Rosália, encontraram um jeito, no mínimo, diferente de encerrar o ano letivo. A euforia com o fim das aulas fez com que os estudantes causassem um tumulto na rua lateral da instituição de ensino. Um ônibus teve suas janelas quebradas, por conta de apedrejamento, e foi ateado fogo nos papéis que estavam na via, arrancados de cadernos dos alunos. (Cruzeiro do Sul, 26/11).
Sexta-feira, 26 de novembro: Alunos da rede estadual de ensino de Presidente Prudente descartaram em vias públicas materiais didáticos fornecidos pelo governo do Estado de São Paulo. A prática é considerada, pelos alunos, como uma “tradição” de encerramento do ano letivo, embora as aulas na rede continuem até dia 22 de dezembro. A Secretaria de Educação, através da Assessoria de Imprensa, diz que as escolas farão trabalhos de conscientização para evitar que fato como esse ocorra. (O Imparcial, 27/11).
Quem assistiu ao filme Sociedade dos Poetas Mortos se lembra das cenas em que o professor de poesia de nome John, em ato de rebeldia, sobe à mesa e rasga o livro didático, diante de perplexos alunos condicionados ao bom comportamento. Era uma senha para que esquecessem literalmente o que estava escrito, “imposto” pela escola. Queria dessa forma estimular os estudantes a contestar, gritar e acima de tudo ser “livres pensadores”.
Seria a atitude desses alunos de Franca, Sorocaba e Presidente Prudente um recado para que as autoridades educacionais mudem os métodos ultrapassados de ensino? Haverá aqueles que interpretarão o protesto como ato de vandalismo pura e simplesmente. Com certeza, há os aproveitadores de ocasião ou que aderem à massa sem saber a motivação. Mas, antes do julgamento sobre o comportamento, é preciso refletir. O Estado está cumprindo o seu papel na educação?
Fosse apenas um fato ocorrido, poderia ser interpretado como algo isolado, acidental. Ocorrendo em dois locais diferentes, caracteriza-se uma coincidência. Mas quando se constata o mesmo fenômeno em três cidades tão distantes, no espaço de três dias, fica clara uma sincronicidade que não pode ser desprezada por quem se interessa por sociedade. Esses adolescentes merecem uma resposta à altura, e isso deve partir dos próprios métodos de educação. De preferência, que não sejam as tradicionais advertências ou repressão escolar. Com a palavra, os educadores.
Breves
• Movimento liderado pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) deve chegar em Bauru em fevereiro para retirar as sacolinhas plásticas dos supermercados. São 20 milhões de unidades por mês.
• O tradicional sotaque caipira faz com que o piracicabano seja reconhecido em qualquer lugar do país. O jeito típico de falar foi trazido da capital pelos bandeirantes, a partir do século 17, conforme pesquisa da USP.
• O governador eleito Alckmin vai fortalecer o programa Escola da Família. Vitrine da área de educação durante seu governo, o programa foi esvaziado durante a gestão de José Serra, quando perdeu quase metade do orçamento.
• Estudo da Faculdade de Odontologia de Araçatuba, da Unesp, conclui que a maioria dos pacientes com diagnóstico de câncer na boca, acompanhados durante quatro anos, possuía níveis altos de hormônio associado ao estresse.
• Em Rio Preto, ainda não “pegou” a lei municipal que proíbe o uso de boné, MP4 e celular em sala de aula. Em Álvares Machado, ação inédita do MPE pede para apurar reincidência na utilização de aparelho em escola municipal.
Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br
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