A cada dez, três pacientes interrompem o tratamento


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Formada em 1998, a enfermeira Maria Cecília Rocha atua no Ambulatório de DST/Aids de Franca desde 2007. Nesta entrevista, ela alerta sobre a importância de aderir ao tratamento.

Comércio da Franca - Como começou a trabalhar com quem tem aids?
Maria Cecília -
Não sabia que trabalharia aqui. Fiquei surpresa, porque não tinha experiência nessa área. É uma doença crônica, mas existe recurso e estamos aqui para dar suporte a quem a enfrenta. Com certeza, a realidade é melhor do que a de 20 anos atrás. Os pacientes estão vivendo com mais qualidade.

Comércio - Qual o índice de adesão ao tratamento?
Cecília -
É de 70%. Trabalhar com 30% de pessoas que não aderem é ter uma bomba nas mãos porque a qualquer momento pode chegar um paciente bem debilitado. Vários fatores contribuem para a desistência. A não aceitação da doença é um deles. Nossa missão aqui é deixar a carga viral indetectável. Quando temos um paciente nessa situação, que na linguagem deles se diz ‘zerado’, ele pode pensar que está livre e para de tomar a medicação. Mas é uma doença crônica e como a hipertensão, o diabetes, é preciso tomar o medicamento todo dia, então o soropositivo tem que tomar o antirretroviral diariamente.

Comércio - Quais formas de prevenção na gravidez?
Cecília -
A gestante tem que iniciar o pré-natal nos primeiros três meses. Se for soropositiva, tem que iniciar o antirretroviral na 14ª semana, via oral. A mãe tomará até o dia do parto e, na hora do nascimento, receberá AZT, que impede que o vírus replique nas células e contamine o bebê por causa dos cortes feitos durante o parto. Ela não pode amamentar, porque transmite a doença. A criança tomará por 42 dias o AZT oral. O bebê nasce positivo porque é sangue da mãe circulando nele, mas quando cor-ta o vínculo mãe e filho, o bebê passa a produzir o próprio sangue pela medula e começa a tomar o antirretroviral para não ser contaminado. A criança é monitorada até os dois anos. Hoje temos mãe positiva e filho negativo. Há 23 crianças e adolescentes no ambulatório soropositivas.

Comércio - E a prevenção para não gestante?
Cecília -
Temos de ter práticas seguras. A população de modo geral tem a única forma: usar barreira no sexo oral, anal e vaginal, ou seja, tem que usar camisinha. O sêmen e a secreção vaginal transmitem o vírus. As microfissuras também. Compartilhar seringas ao usar drogas, compartilhar o cachimbo ou latinha quando se fuma crack ou o canudo para consumo de cocaína podem resultar na contaminação, pois se a pessoa tiver fissuras na boca ou no nariz poderá ter contato com o vírus HIV no sangue e ficar com aids. 

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