Ambulatório DST/Aids em Franca atende 963 pessoas com o vírus


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CONTROLADO - O vendedor aposentado Jorge Júnior convive com a aids há 15 anos, desde que teve a confirmação de ser vítima da doença. Na foto, ele mostra os seis comprimidos que toma por dia para controlar a carga de vírus em seu corpo
CONTROLADO - O vendedor aposentado Jorge Júnior convive com a aids há 15 anos, desde que teve a confirmação de ser vítima da doença. Na foto, ele mostra os seis comprimidos que toma por dia para controlar a carga de vírus em seu corpo

No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, dados da Secretaria Municipal de Saúde revelam que, a cada mês, pelo menos cinco pessoas de Franca e região descobrem ser vítimas da doença. O secretário da pasta, Alexandre Ferreira, disse que a média apresentou ligeira queda e vem mantendo os índices registrados nos últimos anos. “Em 2004, eram seis, sete novos casos por mês, o que representava até 85 casos ao ano. Desde então tem mantido de 60 a 70 diagnósticos novos a cada doze meses”. Nos dez primeiros meses de 2010, foram 45 novos diagnósticos de HIV positivo.

O Ambulatório DST/Aids, que funciona no Posto de Saúde no Centro de Franca, atende atualmente 963 pacientes. Do total, 642 tomam medicação - os chamados coquetéis - para controlar a carga do vírus HIV, que provoca a doença. A maioria é homem. São 538 usuários do sexo masculino e 425 mulheres. São pessoas de Franca e cidades vizinhas, com idades de zero a 77 anos. A principal via de contágio é a sexual.

O vendedor aposentado Jorge Júnior, 44, é um dos usuários acompanhados pela equipe do ambulatório. Descobriu que era soropositivo há 15 anos. Contraiu a doença numa época em que a aids era sinônimo de morte. “No começo foi difícil aceitar, principalmente naquele tempo em que não tinha recursos. Vi muita gente morrer do meu lado. E naquele tempo a medicação era comprada. Se fôssemos calcular, hoje você pagaria na média, por frasco de remédio para o mês, R$ 1.300”.

Jorge Júnior enfrentou uma série de exames até descobrir que tinha aids. Resolveu passar por consulta médica após seu cabelo começar a cair. Ele contraiu o vírus durante relação sexual sem usar preservativo. “Vacilei numa noite e tive relação sem proteção. Tinha bebido e não me preveni. Com a doença, fiquei internado três anos, muito abalado e com a sensação de que ia morrer, de querer desistir”.

AVANÇOS

A aids não tem cura, mas pode ser controlada. Hoje os tratamentos podem ser feitos com drogas muito menos agressivas que as usadas no passado. A quantidade de compridos e os efeitos colaterais da novas medicações são menores. Quando iniciou a luta contra a doença, Jorge Júnior enfrentou experiências traumatizantes. “O primeiro coquetel que tomei era de cápsulas brancas e pequenas. Tomava oito de manhã e oito de tarde. Acabava de ingerir, passava 15 minutos, voltava o remédio, em forma de gosma branca, como se a gente pusesse sacolinhas de plástico brancas dentro do micro-ondas para derreter. Era algo parecido que saía da minha boca. Meu cabelo caiu tudo. Não dei conta”.

O vendedor chegou a tomar 26 comprimidos por dia. Hoje se trata com seis unidades. Em média os pacientes do Ambulatório DST/Aids são tratados com coquetéis montados com quatro comprimidos. “Os avanços ajudam muito. Hoje as crianças podem nascer sem serem contaminadas pelos vírus”.

Jorge Júnior está com o vírus indetectável - controlado - faz sete anos, mas terá de tomar a medicação até o fim de sua vida. Para ele, não há problema nisso, pois a medicação deixou de ser uma vilã para se tornar aliada. “Não fico sem meus remédios”. Ele garante que os avanços nas drogas para aids permitem que tenha uma vida muito próxima do normal e o maior problema não depende da adesão ao tratamento, mas está nas outras pessoas: é o preconceito. “Minha vida é normal. Só não falo para todo mundo que tive aids porque tem muita gente preconceituosa com quem tem aids. O preconceito diminuiu, mas ainda existe”.

Para evitar que outras pessoas enfrentem a mesma doença que Jorge Júnior, a Prefeitura promove campanhas preventivas. Nesta quarta-feira, o Dia Mundial de Luta Contra a Aids em Franca será marcado por orientações de equipes de saúde no Centro.

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