A carne e o açúcar


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O trabalhador está de olho no 13º salário. Metade do pagamento extra para quem trabalha com registro em carteira sai até o quinto dia útil de dezembro. Alguns assalariados já receberam a primeira parte mas a maioria põe mesmo a mão nos valores relativos ao bônus somente nesta época pré-natalina.

O 13º salário foi criado exatamente para proporcionar um Natal mais gordo ao trabalhador e sua família. No entanto, grande parte do assalariado apenas transporta o valor correspondente à gratificação legal diretamente para as mãos dos credores. Dívida é o que não falta para o brasileiro.

Não bastassem as ofertas tentadoras de vendas a longo prazo ou empréstimos facilitados, o trabalhador volta a ter uma surda inflação a rondar-lhe o bolso. Ultimamente os gêneros alimentícios têm preços reajustados sem choro nem dó em função da sazonalidade. Só que depois não voltam mais a serem comercializados pelo mesmo valor praticado anteriormente.

A carne vem sendo a vilã da história. Desde agosto, mês considerado o ápice da seca, a arroba do boi gordo vem diminuindo no corpo do animal e subindo na tabela de compra e venda. O quilo de alcatra era comercializado, em média, a R$ 10. Como é uma parte da vaca que nunca entra em promoção nos açougues, está sendo vendida agora por mais de R$ 16.

Aumento exorbitante no preço de uma mercadoria acaba gerando repasses a áreas afins. Em vista do alto custo da carne os restaurantes já reajustaram o valor dos pratos. Aproveitando o embalo, até as iguarias vegetarianas tiveram seus valores remarcados para mais.

A bola de neve instala-se de vez no Natal brasileiro. O porco, que nem vegetariano é e, portando, não depende de pasto, a falta de chuva em nada dificulta a sua criação, já teve seu preço majorado. Até o dia 25 o quilo de leitoa pode bater na casa dos R$ 20. A carne suína custava menos de R$ 10. O espírito natalino já levou o lombo para R$ 15. Quer mais?

Então vai. Não tem jeito de adoçar a situação. Por conta das festas de fim de ano o açúcar encarna o papel de triplo vilão. De saída, trata-se de um alimento altamente prejudicial para a saúde. Essa questão quase nem tem importância, porque qualidade de vida preocupa muito pouca gente! Por conta de um sabor doce na boca, a maioria prefere viver menos.

No meio da vilanice do açúcar está o fato de ser um produto vindo da cana, planta que virou praga na região sudeste do País. No entanto, a plantação visa mais a produção do álcool combustível. O etanol tornou-se a coqueluche do momento financeiro. Compõe parte do boom da economia energética.

Para favorecer a produção do álcool hidratado em larga escala, o quilo do açúcar saiu este ano do valor de pouco mais de R$ 0,50, indo além da casa dos R$ 2. A embalagem de 5 Kg pode ser encontrada a menos de R$ 10 somente em promoção.

Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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