Franca chega neste domingo aos seus 186 anos e não para de crescer. Um levantamento feito pela Secretaria de Urbanismo e Habitação mostra que, atualmente, há pelo menos 135 prédios em construção na cidade. Entre blocos menores (sem necessidade de elevadores) e torres com mais de dez andares, eles começam a mudar o cenário do município e confirmam, segundo as construtoras e especialistas, uma tendência à verticalização.
Para a secretária da pasta, Valéria Marson, o “boom” é resultado de uma série de fatores, que vão desde a confiança na administração da cidade até a busca por segurança. Soma-se a esses fatores, a localização e também a procura por um investimento imobiliário. A maioria dos empreendimentos é erguida na região central da cidade. “Para o município, é bom, pois os condomínios ficam próximos da prestação de serviços como escolas e unidades de saúde. Já quando as construções são horizontais encarecem mais, pois precisamos nos preocupar com transporte, rede de esgoto, energia elétrica e asfalto”.
Segundo o levantamento, somente de prédios menores com até quatro pavimentos e que dispensam o uso de elevadores, são cem unidades de blocos familiares, consideradas mais populares. Os outros 35 empreendimentos, que correspondem a 26% do total, são construções maiores, com mais de dez andares. Destes, 13 estão em acabamento, nove em fase de construção (mais da metade construído), sete no começo das obras e seis com as plantas aprovadas, aguardando o início dos trabalhos.
Em atuação na cidade desde 2000, a MRV lançou 14 condomínios populares neste período, todos verticais. O menor com quatro blocos e o maior, ainda em fase de construção no Bairro São José e Vila Santa Cruz, terá 44 unidades. Cada bloco possui em média 16 apartamentos. “O que ocorre em Franca é um adensamento dos imóveis. As pessoas estão procurando por segurança e moradia mais barata, porém precisam estar preparadas para a vida em grupo e relações mais próximas”, disse a professora do curso de arquitetura da Unifran, Maria Cecília Sodré Fuentes.
Especializada em planejamento urbano, a professora disse também que todas essas construções ocorrem por incremento do setor imobiliário. “A cidade é muito estendida para a periferia e agora tem um investimento em prédios verticais. Trata-se de uma tendência que também ocorre em outras cidades. Uma dinâmica da construção civil”.
Para Tainan Lopes, gerente de projeto da CV Lopes, os prédios começaram a ser construídos por uma exigência de mercado. Só neste ano, a construtora passou a erguer dois novos prédios, além de ter outros 12 em andamento. O décimo quinto deve entrar em construção a partir do primeiro semestre de 2011. Todos os edifícios são voltados para a classe média alta e têm em média 15 andares e 60 apartamentos. “Há cinco anos percebemos que havia uma demanda por prédios verticais. São empresários e famílias que procuram o imóvel por segurança e como investimento”. Segundo Lopes, os apartamentos são vendidos em média por R$ 170 mil na planta e no final da obra chegam a valer pelo menos R$ 310 mil. “Temos muitos investidores de fora, por isso acredito que as construções de prédios verticais vão continuar. Com certeza cabem mais, mesmo se não houver espaços vazios”.
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