Voluntários são a esperança de um Natal melhor para muitas crianças


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ESPERANÇA  - Sentada ao lado da cadela Samanta, Émili Barbosa Bachur abraça a boneca de pano que ganhou de voluntários no ano passado no bairro em que mora, Jardim Aeroporto III
ESPERANÇA - Sentada ao lado da cadela Samanta, Émili Barbosa Bachur abraça a boneca de pano que ganhou de voluntários no ano passado no bairro em que mora, Jardim Aeroporto III

Como toda criança de sua idade, Émili Barbosa Bachur, 9, já escolheu seu presente de Natal. Quer ganhar um notebook, “de verdade, não o de brinquedo”. De uma família de cinco irmãos, todos menores de 13 anos, e com a mãe desempregada, ela sabe que as chances de realizar o sonho são bem pequenas. Mas a garota, como tantas outras crianças e adultos, agarra-se à esperança de receber visitas de voluntários em seu bairro nas vésperas do Natal para presentear os moradores.

Ela mora numa casa humilde, no Jardim Aeroporto III, com a mãe e os irmãos. Guarda até hoje a boneca de pano que ganhou no ano passado. Émili diz que se ganhar outra boneca e ficar sem o notebook, ficará feliz da mesma forma. “Pelo menos não vou ficar sem brinquedo”. A menina conta os dias para os voluntários passarem pelo bairro. “Para mim, o Natal é felicidade e não é só ganhar presentes das pessoas, é lembrar o nascimento de Jesus”, disse. Sua mãe, a sapateira desempregada Rosângela Barbosa, que tem mais quatro filhos, não gosta muito do 25 de dezembro.

Disse que nesta época sua família já vivenciou muitas histórias tristes e ela não tem boas recordações da data, mas espera bons acontecimentos para os filhos. “Tenho cinco crianças e não dou conta de comprar presente para cada uma. Acho bom quando alguém vem até o bairro e doa brinquedos e alimentos. É bom meus filhos ganharem presentes porque eu nunca tive”, disse Rosângela, que é separada do marido e acha que não terá como atender os pedidos dos filhos. “Fui mandada embora da fábrica faz poucos dias e não sei se receberei o seguro desemprego porque já tive neste ano”. Além de Émili, a sapateira é mãe de Welington, 13, Elen, 12, Yálita, 7, e Hugo, 6.

CHEIOS DE EXPECTATIVAS
Em Franca, a ação solidária de cinco grupos distribuirá mais de 21.500 brinquedos na cidade. É nesse tipo de iniciativa que a comerciante Marta Maria da Silva, 34, deposita a esperança de proporcionar aos seis filhos um Natal diferente. “Todo ano a gente fica esperando porque os carros passam dando brinquedos, balas, presentes, cestas básicas. Sempre trazem carrinhos e bonecas. A rua fica lotada de gente. Todo mundo quer ganhar alguma coisa”. A comerciante mora no Jardim Aeroporto há 20 anos. “Sem os voluntários, o Natal ficaria muito chato porque para comprar não tenho condições” A renda da família é de R$ 800. “Não sobra dinheiro. Dá só pra pagar o aluguel (R$ 230) e comer”.

Dois dos filhos de Maria Marta fazem aniversário em dezembro. Ruan, 10, nasceu dia 29 e Ana Laura, de onze meses, no dia 22. O garoto guarda e brinca com o carrinho que recebeu no ano passado e quer que a dose se repita em 2010. “Gostei muito do presente. Espero ganhar de novo nesse ano. Acho muito bom ganhar e legal porque quem não tem, ganha alguma coisa dos carros que passam aqui nas ruas”. Ruan tem mais cinco irmãos: Ana Paula, 12, Douglas, 13, Ana Lívia, 7, Pedro, 2, e Ana Laura.

Quem está do outro lado também se emociona e orgulha das ações voluntárias. O empresário Otoniel Gimenes de Freitas realiza pela sétima vez campanha de arrecadação de brinquedos para distribuir na véspera do Natal. Espera conseguir dez mil peças para alegrar crianças em pelo menos 15 bairros da cidade. “A gente chega ao bairro com trio elétrico e aparece criança de todos os lados. É uma alegria muito grande”, disse Otoniel, em entrevista à Rádio Difusora AM. 

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