Franca, fim de linha?


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Por Toninho Menezes, é especialista em Administração Pública

Agradeço a DEUS por ter sido privilegiado por possuir uma boa memória, que foi aperfeiçoada através de cursos efetuados quando de nossa passagem pela Força Aérea Brasileira, pois naquela época não havia tanta tecnologia eletrônica e de satélites, assim tudo era na base das habilidades humanas.

Outro dia ao passarmos pela Praça Sabino Loureiro (Estação), nos veio à lembrança os tempos das locomotivas tipo "Maria Fumaça" que cruzavam nossa região.

Foi no Alto da Estação que passamos bons momentos de nossa adolescência. Bairro dos quiosques, dos carrinhos de sorvete à porta da estação, onde ficavam os troleiros à espera do trem chegar. Havia as "Casas da Turma", as casas das máquinas. Vibrávamos com as manobras dos trens apitando e dando encontrões nos vagões que ali ficavam aguardando a locomotiva para os puxar.

Apesar do percurso ser protegido por cercas de arames e ciprestes plantados muito próximos uns aos outros, era sobre as linhas do trem, sem colocar os pés nos dormentes, que disputávamos corridas de equilíbrio. Também era sobre os trilhos que íamos caminhando até o Parque Fernando Costa, onde aconteciam as famosas exposições de gados de Franca e região.

Sempre fomos curiosos e uma coisa que sempre me chamou a atenção era o fato de que nos locais onde a linha férrea atravessava diretamente à rua, havia cancelas que impediam o tráfego de pedestres, carros ou veículos de tração animal etc, nestas passarelas sempre havia uma placa, com os dizeres: PARE, OLHE, VIVA. Em nossa inocência o pare e o olhe estavam mais do que entendidos, mas o viva... Sempre pensava que depois de atravessar em segurança deveria dar vivas de alegria pelo sucesso da empreitada.

Ficávamos bravos e discutíamos quando nossos primos vinham de Ribeirão Preto e falavam que Franca era "fim de linha". Que lá tinha isso e aquilo e aqui o trem somente fazia a manobra para voltar, o que não era a realidade, pois a "Maria Fumaça" diariamente saía de Ribeirão Preto, passava por Brodowski, Batatais, Restinga, Franca, fazia uma parada rápida em Guapuã (Cristais Paulista), passava na Chave da Taquara, depois Pedregulho, Rifaina, Conquista e só parava em Sacramento, onde realmente era o "fim da linha", naquela época.

É dessa forma que recordamos do nosso bom e agradável Bairro da Estação!

Bons tempos que por vezes esquecemos de rememorar e, nada mais justo de que a praça Sabino Loureiro seja merecedora de destaque pelo que representou para o desenvolvimento de Franca.

Quem sabe, no futuro, poderemos ver crianças e jovens novamente desfrutando daquele belo espaço. E, assim, daqui a alguns anos poderão contar com alegria e entusiasmo passagens de suas vidas, como a que aqui comentamos. Ou será que só assistiremos aos tristes espetáculos vivenciados na praça, onde jovens ali se reúnem para drogarem, mendigarem, prostituírem e cometerem atos ilícitos? Esta pergunta só o tempo poderá nos responder.

Para terminar gostaria de citar parte do artigo Mãe Preta, de autoria do meu tio-avô, jornalista Francisco Cunha, publicado no jornal Comércio da Franca, edição de 09/04/1939:

"Ficarei contigo, Franca, minha doce Franca, a cantar, baixinho, só para mim, a tua beleza sem par, o teu céu de anil, o verde das três colinas, o ouro das tuas oficinas, onde as polias giram, as correias zunem, as máquinas cosem e pregam os sapatos do Brasil!"

Parabéns Franca pelo seu aniversário!

 

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -

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