Por Paulo Maestri, é professor
1700. O sol alto e quente, muito quente, era às vezes suavizado pelo vento forte e fresco. Mesmo assim suávamos. Os animais sofriam, pois os pesos sobre seus lombos eram muito violentos, conseqüência de muitos quilogramas de sais. Tropeiros e bandeirantes se misturavam. Mulas e gado em busca de capim e água.
Momento de trocas de mercadorias. (...)
Ar puro, água cristalina, bom lugar para descansar. Talvez até sarar doenças.
Anhanguera II inaugura uma pousada simples, bastante rústica, cheias de goteiras. Cadê as mulheres?
Esse canto de mundo não era fácil para viver. Mais tarde este pedaço de chão germinaria uma cidade. A velha estrada dos Goiazes, cercada por grandes morros de terra vermelha e arenosa caracterizada pelo cansaço e a coragem dos tropeiros e o excesso de sal. A vegetação herbácea que alimentava os animais servia de tapete para uma paisagem mista, que envolvia grandes árvores misturadas com arbustos de casca grossa e galhos retorcidos.
O trinar dos sinos das mulas anunciava a chegada de mais um carregamento. Momento de descanso e água pura para todos. Muito cansaço. Nesse dia, conta os tropeiros, atolaram na passagem de um córrego, perderam alguns animais.
Chico tropeiro, caboclo valente e experiente por essas bandas, pede muita atenção à estrada. Terra perigosa, sem lei, gente sofrida e desconfiada.
Ficarei com as tropas esta noite, neste pouso aqui único. Amanhã bem cedinho seguiremos viagem, rumo ao Rio Grande. Que Deus nos proteja.
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Uma bela história, parecida com novela? Mas não é. É a História, uma pequena parte da história de Franca. Hoje passear por suas ruas é sonho realizado, é projeto concretizado. Quando chego do norte ou sul, pela Cândido Portinari, de algum lugar posso vislumbrar seu sorriso, como de uma criança encantada com o presente que acabou de ganhar, que me transforma e me faz feliz, sossega meu coração. A namorada encantada com o sorriso dos olhos presente a chegada do amor eterno, que está voltando, simbolizada talvez, mais tarde, por uma serenata. O vento batendo na primeira colina e enviando mensagem para a segunda e a terceira e as outras colinas, dizendo que seu filho voltou. Que agora encontrou a paz. Que o sossego, agora quebrado pelo bater de seu coração, que traz em seus ombros os calos da luta diária, te dará satisfação de poder novamente passear por suas avenidas sedentas de viver e suas praças vivas com seus freqüentadores a papear, a mostrar-se para todos, que seu filho está de volta. Dias e noites de festa serão comemorados e relembrados. O caminho tão árduo da estrada do sal se transformou na cidade de maior influência regional, tão amada pelas vizinhas cidades. A minha amada e idolatrada cidade, tão capaz de fazer chorar quem se ausenta e de possuir a honra de ter transformado os primeiros boiadeiros em homens de verdade, é saudada no seu dia. Que esse dia seja eterno e que realizações suprimam pensamentos negativos e que você continue a brilhar, que o amor passeie por suas subidas e descidas. Que suas voçorocas se transformem em jardins suspensos de amor de Deus e de meu eterno. Que o sacrifício de seus filhos não seja em vão. Que a estrada boiadeira que agora asfalto se fez, continue a brilhar e a encantar. Que esperanças renasçam e o amor supere tudo. Bela Franca. Minha vida, meu amor. Parabéns
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