Pedro corria pela praça fugindo da mãe. Por onde o menino passava aos prantos, os pombos se dispersavam. Seu coração pulsava ao som do sino da catedral. Ao ver que a mãe o alcançaria, o garotinho astuto escondeu-se atrás da concha acústica. Em vão. A mãe o encontrou.
- Mãe, eu não quero ir! Dizia o Pedro chorando.
- Vamos, Pedro! Deixe de ser manhoso! Não podemos viajar muito tarde!
Pedro respirou fundo e olhou para o alto da catedral como se tivesse que dizer adeus. Voltou-se para a mãe, um pouco mais calmo, embora ainda com lágrimas em seu rosto, depois de olhar bem ao seu redor:
- Mãe, escuta...
- Diga, meu filho. - A mãe abaixou-se para escutar o menino olhando em seus olhos.
- No lugar para onde iremos teremos pombinhos felizes em torno do relógio do sol, como aqui?
- Filho - respondeu a mãe, calmamente - Nos mudaremos para uma cidade diferente...
Pedro sentou se apoiando na concha acústica:
- Tudo bem, mamãe. Mas posso ficar sentado aqui até que o sol se ponha? Só agora...
A mãe abraçou o filho e sorriu:
- Pode, filho. Pode sim.
O jovenzinho escutou o som do sino da matriz. Parecia que seria a última vez que ele estaria diante daquela praça repleta de pessoas alegres e que não tinham que ir embora. "Que sorte, a delas!" - Pensava Pedro.
Após o pôr do sol, o menino entrou no carro do pai. Olhando pelo vidro, via a praça ficando cada vez mais longe enquanto a cidade também ia sumindo no horizonte. Até que desapareceu aos seus olhos. Sua mãe olhou pelo espelho retrovisor. Pedro havia dormido no banco de trás. Por um momento, o menino sorriu enquanto dormia. Talvez estivesse sonhando que já não iria mais embora. Que ficaria para sempre naquela cidade onde o sol se fazia mais belo. Onde tudo era mais bonito.
Pedro amava aquela terra. Ao partir, deixou uma parte de sua alma sentada no banco daquela praça e um dia ele voltaria para buscá-la.
***
Ainda ontem encontrei o senhor Pedro sentado em um banquinho na praça. Ao ver seu netinho dando seus primeiros passos por entre os pombinhos perto da fonte, ele escutava com admiração o som do sino da matriz:
- A cada dia que passa o toque desse sino fica ainda mais sublime! - Comentou sob um suspiro seguido de um sorriso de satisfação.
Sua esposa, então, o chamou de longe:
- Pedro! O ônibus que vai para Cristais sairá do terminal daqui a dez minutos! Temos que voltar!
O senhor Pedro levantou-se repentinamente e escondeu-se atrás da concha acústica. Ao ser encontrado pela mulher anunciou:
- Daqui eu não saio, Filó! Não antes de ver o sol se pôr!
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