Algumas gerações, entre elas a minha, vivenciou o maior avanço tecnológico já ocorrido na história da humanidade. Nada, no passado, se iguala ao que a humanidade produziu em ciência e conhecimento nos últimos 30-40 anos. Nesse avanço, destaca-se o desenvolvimento da tecnologia de informação.
Observamos e experimentamos com ele o conforto, o avanço das pesquisas médicas, aumentamos o conhecimento produzido, agilizamos os processos industriais e o comércio, estreitamos a relação e cooperação entre as nações e ampliamos as perspectivas de avançarmos estudando a vida e o universo.
A tecnologia permite, com ações bem planejadas e através da sua vertente da informação, reduzir as diferenças sociais, permitindo que barreiras existentes na aquisição do conhecimento possam ser prontamente derrubadas. Entretanto, por ainda faltar sensibilidade social, cultural e política, parcelas significativas da população mundial ainda dependem de ações governamentais para saírem da exclusão cibernética.
Aqui, como em todas as áreas em que a melhoria da condição social está em questão, vemos os interesses econômicos prevalecerem. O acesso popular à tecnologia transformadora só é possível depois que é difundida e usufruída primeiro pelas elites. Além disso, todos sabem que o acesso à tecnologia (comunicação e transmissão de dados) no Brasil é desproporcionalmente caro. Se, por um lado temos ilhas de excelência, por outro, temos todo um oceano de carências ou limitações.
Assim, torna-se imprescindível a ação do Estado investindo na popularização do acesso cibernético. Nesse sentido, o governo brasileiro lançou no primeiro semestre o Plano Nacional da Banda Larga (PNBL), que visa a universalização do acesso à Internet rápida no País. Sua meta inicial é a de avançar dos atuais 11,9 milhões de domicílios conectados para 40 milhões até 2014.
Infelizmente, sempre que o Estado planeja uma ação dessa natureza desperta o discurso oportunista de que o Estado está se metendo onde a iniciativa privada teria maior competência para atuar. O fato é que ela não o faz porque investir em regiões distantes dos pólos desenvolvidos e, principalmente, em regiões pobres não dá o retorno econômico desejado pela iniciativa privada. Portanto, somente a ação estatal garante a chegada da modernidade às regiões mais remotas do País.
O avanço tecnológico, simbolizado e materializado pela informática e pela Internet, é o responsável pelas mudanças que estão em curso na sociedade mundial. Muitas serão positivas e são possíveis de serem antecipadamente vislumbradas, mas há, também, perspectivas de uso inadequado dessas tecnologias e a sociedade deverá estar atenta à possibilidade. O que o homem imagina e cria não garante, necessariamente, seu bom uso. Há alguns dias foi divulgado o fato da China ter, em abril desse ano, redirecionado 15% do tráfego de toda a Internet mundial para os seus servidores chineses durante 18 minutos. Isso significa, na prática, que um volume descomunal de informações abertas e confidenciais, esteve sob seu controle durante esses minutos.
Fato é que o avanço tecnológico não tem limite. A questão é o uso que a humanidade fará dele.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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