Cinema & Psicanálise completa dois anos com exibição de filme


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Da esquerda para direita | Maria Luiza Salomão, Fátima Cassis, Ana Márcia V. P. Rodrigues, Débora Mellen, Ana Regina Caldeira, Lenise Azoubel, Josiane de Oliveira, Sonia Godoy
Da esquerda para direita | Maria Luiza Salomão, Fátima Cassis, Ana Márcia V. P. Rodrigues, Débora Mellen, Ana Regina Caldeira, Lenise Azoubel, Josiane de Oliveira, Sonia Godoy

O Cinema já foi objeto de consumo da elite. Hoje milhões de pessoas assistem a um filme, lançado e distribuído globalmente. Accessíveis, filmes são locados e até adquiridos em supermercados. Patrimônio cultural compartilhado, o Cinema influencia a cultura, e, em mão dupla, também reflete um padrão antropológico, sociológico, psicológico, da cultura que modela sua Arte.

Freud abrigava esperanças de que a Psicanálise também se tornasse um método accessível à população. O número de psicanalistas no Mundo (perto de 11.000) é pequeno, pela complexa formação, necessariamente rigorosa. As Sociedades formadoras de analistas tentam viabilizar as análises economicamente, e também através da divulgação do método psicanalítico, apreendido em longo (entre 5 a 10 anos) e difícil “artesanato” de analista para analista. A psicanálise também é fruto e semente de transformação cultural.

Em 2008, uma Comissão se formou em Franca tendo por objetivo correlacionar a Arte do Cinema com os estudos psicanalíticos. Composta de seis analistas da SBP Ribeirão Preto, Ana Márcia V.P. Rodrigues, Ana Regina M. Caldeira, Débora Mellem, Fátima M. Cassis, Josiane B. Oliveira, Sonia M. Godoy, e eu, Maria Luiza Salomão, como convidada, pela SBP São Paulo. Duas Sociedades de Psicanálise, vinculadas à Associação Internacional de Psicanálise, a IPA, fundada em 1910 por Sigmund Freud.

Em novembro de 2008, Ana Márcia Rodrigues, coordenadora da Comissão, apresentou o primeiro filme - “O Carteiro e o Poeta”. O evento teve tamanha aceitação que obrigou a Comissão a buscar novo local.

Uma platéia se mantém fiel, e muitas vezes superlota o anfiteatro (que tem lotação de 100 cadeiras) do Centro Médico de Franca, sede Campestre, gentilmente cedido à Comissão. Outros patrocinadores apóiam o projeto. O jornal Comércio da Franca é nosso grande parceiro, desde o início, na divulgação.

Em atmosfera íntima, agradável, criou-se um espaço para ampliação de conhecimentos sobre a alma humana. Após a apresentação do filme, um coffee break (pipocas e café) e a reflexão sobre o filme. Analistas da SBPRP, residentes em Ribeirão Preto (alguns também ligados à SBPSP), têm colaborado, fortalecendo o grupo francano de analistas.

Interessante notar um aumento considerável nas locações dos filmes escolhidos pela Comissão (antes e depois do evento), indicando que estamos incrementando as opções culturais de Franca. Algumas pessoas, mesmo não podendo comparecer ao Centro Médico no dia do evento, assistem aos filmes programados, ou mesmo querem revê-los após as palestras. Os filmes selecionados têm sido indicados aos grupos de amigos, familiares, pelos participantes do evento.

Em novembro, encerramos as atividades de 2010, com o filme As Pontes de Madison, direção de Clint Eastwood, com os meus comentários.

O tema que tentarei desenvolver amanhã é a Intimidade. O filme mostra o encontro amoroso de Francesca, casada e com dois filhos, uma fazendeira de Iowa, com um sofisticado fotógrafo da Revista National Geographic, que vai ao condado de Madison para fotografar pontes antigas. O encontro muda o sentido de suas vidas.

O filme, de 1995, nasceu clássico, baseado em um best-seller de 1992, de Robert James Waller, sob a batuta de Clint Eastwood, diretor que tem se caracterizado por fina sensibilidade e capacidade de narrar, simples e diretamente, aspectos humanos profundos, em imagens que se tornam antológicas para a Sétima Arte.

A história é inesquecível, pela força mítica do Amor, que retira da solidão dois habitantes de universos distintos, paralelos, e que se tornam capazes de construir e manter um elo indestrutível, uma Ponte humana, que transforma o “eu” e o “tu” isolados, em um “Nós”, espaço imaginário que permite uma amplitude infinita, perseverança e determinação para melhor usufruir a Vida e conduz à aceitação da separação, maiormente a Morte.

Como afirmou Freud, há quase 100 anos atrás - sem Amor adoecemos. Há que cuidar e zelar pelas Pontes Eróticas, nossos interiores “tombamentos históricos”.

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