Alunos da escola “Ângelo Scarabucci” decidiram comemorar a última prova do ano letivo, ontem, rasgando e ateando fogo nos cadernos e em apostilas distribuídas pelo Governo do Estado. A manifestação deixou a Rua Rosa Delmont, na Vila Scarabucci, tomada por folhas de papel e, em alguns pontos, por cinzas. Diretora, professores, vizinhos da escola e alguns estudantes ficaram revoltados.
A ação começou no final da manhã. Era pouco mais de 11 horas quando os estudantes deixaram o prédio da escola e se reuniram na rua. Entre risos e gritos de euforia, eles começaram a rasgar as folhas e a espalhar pelo chão. Além de destruir os cadernos, eles colocaram fogo. A situação só não tomou uma proporção maior porque uma viatura da Polícia Militar chegou a tempo, impediu que mais papéis fossem queimados e mandou que todos fossem para casa. Quando a reportagem do GCN chegou ao local, os alunos já haviam ido embora.
A “Ângelo Scarabucci” conta com 500 alunos no período da manhã nos cursos do 6º ano ao 9º do ensino fundamental e ensino médio. Segundo a diretora Maria do Carmo Fernandes, os envolvidos são, em sua maioria, os alunos do ensino médio, geralmente com idades entre 14 e 16 anos. Ainda de acordo com ela, ação idêntica aconteceu dentro e fora da escola no final de 2009. Neste ano, ela conseguiu conter a bagunça no pátio, mas disse que não foi possível controlá-los do portão para fora.
A diretora chegou a ouvir boatos nos corredores sobre a intenção dos alunos, orientou-os de que o ano letivo não havia terminado e que eles ainda iriam precisar dos materiais. Nada adiantou. “As aulas terminam em 23 de dezembro. Até lá, ainda temos de revisão, entrega de trabalho e revisão. Estou decepcionada. Aqui é lugar de educar. A gente luta para isso, mas, em alguns casos, os valores são outros”. Ainda de acordo com ela, não será possível punir os alunos porque eles não foram identificados. “Na hora, os colegas não entregam quem fez”.
Um vizinho que presenciou a cena acredita que a ação foi promovida por mais da metade dos alunos. “Pelo menos 70% promoveram essa algazarra. Infelizmente, a direção não tem autoridade e, aqui fora, muito menos. O resultado é esse vandalismo”, disse o comerciante JCP. Outros vizinhos reclamaram da situação, mas preferiram não falar a respeito. “Têm muitos alunos barra pesada nesta escola e pode comprometer a gente”, disse um deles.
Um dos professores atribuiu a manifestação à rebeldia da idade e ousadia quando se está em grupo. “Quando reúnem mais de três parece que perdem o medo. Extravasam e acabam fazendo isso. A maioria é de boa índole, mas esse é resultado do poder de grupo”, opinou.
Procurada pelo GCN, a dirigente de Ensino, Ivani Marchesi, não se encontrava na Diretoria Regional e até o fechamento desta edição não retornou ao recado deixado.
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