Scarabucci e Teixeira: de fábricas de fogos a nome de dois bairros


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No início do século, quando a indústria calçadista ainda dava seus primeiros passos, as famílias Scarabucci e Teixeira se uniram e criaram duas grandes fábricas de fogos de artifício em Franca. Do passado, sobraram apenas as memórias
No início do século, quando a indústria calçadista ainda dava seus primeiros passos, as famílias Scarabucci e Teixeira se uniram e criaram duas grandes fábricas de fogos de artifício em Franca. Do passado, sobraram apenas as memórias

O francano Jersey tem no sobrenome a história de dois bairros da cidade. Contador por formação, mas técnico pirotécnico por amor à arte e herança familiar, do alto dos seus 90 anos, completados em maio, ele conta com saudosismo e precisão de detalhes da época das fábricas de fogos Scarabucci e Teixeira. A primeira do seu avô materno Ângelo Scarabucci e a segunda, de propriedade de seu pai, José Vitório Teixeira.

“Seu Teixeira”, o filho, como é conhecido, nasceu praticamente no meio dos fogos e, por isso, até hoje tem profundo apreço por eles. Diz que fogos são sinônimo de alegria e que não existe festa ou comemoração sem eles. Eles também não faltaram na inauguração dos bairros Vila Scarabucci e Vila Teixeira, que surgiram a partir do loteamento das chácaras pertencentes à família.

Nos dois casos, os loteamentos surgiram com o fim das fábricas de fogos que, em meados da década de 30, chegaram a ocupar imensas áreas e empregar centenas de funcionários da cidade. No período em que existiam poucas empresas do ramo no Brasil, Franca tinha a honra de possuir duas unidades fabris em funcionamento simultaneamente. Nem um acidente de grandes proporções, que levou para o ar vários galpões e fez vítimas fatais, tirou a garra empreendedora do avô de Seu Teixeira, que pouco tempo depois reconstruiu a fábrica numa nova propriedade.

Segundo Seu Teixeira, a última fábrica foi fechada em 1975, pois estava dentro do perímetro urbano. “Meu pai foi convidado para montar a fábrica em Minas, que oferecia incentivos fiscais, mas decidiu parar e ficar em Franca”.

O Teixeira pai, inclusive, era técnico pirotécnico antes mesmo de conhecer Ângelo Scarabucci que, anos mais tarde, se tornaria seu patrão e também seu sogro. “Meu avô tinha a fábrica em Franca e foi visitar uma outra fábrica de fogos em Leme. Lá, viu meu pai trabalhando e, como ele era o melhor funcionário, o convidou para ser gerente do negócio dele. Meu pai aceitou, veio para Franca e aqui conheceu minha mãe, que era a filha mais velha do meu avô”.

Na época, os filhos homens de Ângelo Scarabucci eram pequenos e José Vitório era quem gerenciava tudo. Primeiro na fábrica da Rua Padre Anchieta, no Centro, depois na Rua que mais tarde passou a se chamar Ângelo Pedro e, por último, no alto da área que viria a ser a Vila Scarabucci, onde hoje está o Sesi. “O tempo foi passando e os meus tios cresceram e quiseram assumir a fábrica. Então foi quando meu pai resolveu sair e montar sua própria fábrica, a Fogos Teixeira”, diz ele que aposentou na fábrica do pai, mas até hoje trabalha com a comercialização de fogos. “Nem no dia que meu pai morreu deixei de trabalhar. Meu avô colocava fogo no castelo da Cavalhadas, depois meu pai. No dia que meu pai morreu tinha Cavalhadas. Estava sem condições de ir, mas como havia um compromisso, fui e coloquei fogo no castelo, tradição que mantenho até hoje”.

BAIRROS
Como a permissão para produção de fogos, dada pelo exército, só era autorizada para fábricas localizadas em chácaras, distantes da cidade, José Vitório comprou a Chácara Santo Antônio, com sete alqueires. A área começava onde hoje está a pizzaria Cascata e seguia até o córrego na Avenida Hélio Palermo. “A cidade acabava no cruzeiro da Avenida Presidente Vargas, ao lado do campo do Fugêncio onde hoje está a Prefeitura”, conta com emoção.

Apesar de ter toda a história fresca na memória, Seu Teixeira também guarda recortes, embalagens, cartazes e até tabelas antigas com os preços dos produtos comercializados na época. Seu sonho é colocar tudo num museu que pretende montar para contar o surgimento dos dois bairros e também a história das duas fábricas de fogos que fizeram parte dos 186 anos da Franca.

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