O Orçamento Fiscal do município, um dos projetos mais importantes que passam pela Câmara, foi aprovado em poucos segundos e sem a menor discussão ontem. Já a proposta que proibia profissionais de saúde de circular fora do ambiente de trabalho vestindo jalecos, aventais e roupas brancas provocou um debate de quase duas horas. Após médicos afirmarem na tribuna que a medida não teria eficácia para combater infecções, a maioria dos vereadores votou contra e a proibição foi rejeitada.
O Pastor Otávio (PTB) queira banir o uso de jalecos nas ruas sob a justificativa de que são potenciais transportadores de bactérias, podendo provocar infecções. Na justificativa do projeto, lembrou o surto de infecção hospitalar que matou 19 recém-nascidos na Santa Casa no ano passado. A classe médica se articulou e foi à Câmara manifestar-se contra.
Presidente do sindicato da categoria, Marco Aurélio Piacesi criticou o vereador. “É um despropósito. Penaliza uma série de pessoas sem a menor finalidade. Sou veemente contrário. A proibição não traz os resultados que o senhor procura”. O profissional afirmou que o uso de jaleco e avental nas ruas é de menor importância. “O grande agente de transmissão é a mão. Seria interessante o senhor procurar se há lavatórios adequados nos hospitais”.
Maria Auxiliadora Pedigone, coordenadora da CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) da Santa Casa, disse que a proibição não teria efeito prático, pois em áreas com maior risco de contaminação já são usados jalecos individuais e que os mesmos só saem destes locais para a lavanderia. “O mais importante é a higienização das mãos antes e depois de se tocar o paciente. Na infecção hospitalar, a participação do jaleco é muito pequena”. A médica afirmou que as mortes dos 19 recém-nascidos no hospital não teria relação com o uso destas roupas e que a situação está sob controle. “O problema foi a superlotação”.
Levado à votação, o projeto teve o voto favorável apenas dos três vereadores do PTB, sendo rejeitado. “Os médicos minimizaram e disseram que os riscos são pequenos. É claro que na visão deles está sob controle e que não há perigo. Só que não podemos esperar que o ladrão entre na nossa casa para, depois, consertarmos a fechadura. Temos de trabalhar com a prevenção”, lamentou o pastor Otávio.
Ainda na sessão de ontem, os vereadores aprovaram projetos de autoria do Executivo que implantam a contribuição de melhoria para fazer face ao custo de obras de pavimentação e drenagem em ruas do Parque São Jorge e do Jardim Dermínio. Em regime de urgência, foi aprovada a assinatura de convênio para que o município receba do Estado R$ 1 milhão a serem investidos na conservação de estradas rurais.
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