Latrocínio deixa em pânico os comerciantes de Franca


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VERA CRUZ I  - Policial Militar em frente à padaria onde comerciante reagiu a assalto e foi morto com três tiros na frente da mulher
VERA CRUZ I - Policial Militar em frente à padaria onde comerciante reagiu a assalto e foi morto com três tiros na frente da mulher

O assassinato de Fernando Pereira, 37, morto com três tiros na frente da mulher segunda-feira durante um assalto à sua padaria no Jardim Vera Cruz I, deixou comerciantes de Franca preocupados com sua segurança. O latrocínio (roubo seguido de morte) aconteceu num estabelecimento que funciona como posto de recebimento de contas de luz. Nos últimos 16 dias, a polícia de Franca registrou quatro assaltos a comerciantes que prestam serviços de correspondentes bancários - R$ 61 mil foram roubados. A violência dos assaltos faz os comerciantes temerem as ações dos bandidos. De oito empresários ouvidos pela reportagem do GCN Comunicação, sete pensam em deixar de prestar este tipo de serviço.

O recebimento de contas aumentou o movimento de dinheiro em pequenos comércios, como supermercados, lojas e padarias de bairro. Um levantamento feito pelo GCN junto a oito comerciantes aponta que o fluxo médio com este tipo de serviço é de aproximadamente R$ 5 mil em dias normais e R$ 12 mil em dias de pagamento. Na opinião do delegado Márcio Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), desde que os pequenos estabelecimentos passaram a receber este tipo de pagamento, tornaram-se um atrativo para que assaltos ocorram, pelo volume de dinheiro que agora movimentam. “Com certeza atrai a bandidagem, porque ali se tem a certeza de uma grande quantidade de dinheiro”, afirmou.

Com o intuito de coibir os assaltos, comerciantes investiram em sistemas de segurança como câmeras e alarmes. Mas a precaução não é garantia de ficar livre das ações dos ladrões. No roubo do Vera Cruz, as câmeras de segurança registraram o assassinato do comerciante.  A vítima Fernando Pereira já havia demonstrado sua preocupação com colegas. “Encontrei com ele ontem (segunda-feira) e ele me disse que pensava em parar de receber as contas”, disse Carlos Pereira, presidente da Associação dos Supermercados de Franca e Região.

O medo atinge comerciantes das cinco regiões da cidade, principalmente os que trabalham como correspondentes bancários. A maioria não pretende mais continuar com o serviço. É o caso da proprietária de uma mercearia no Jardim Ângela Rosa. Correspondente bancária desde maio, ela recebe contas da luz, água e boletos bancários. A comerciante teme o pior. “A gente tem medo. Era para eu ter parado antes, mas fui deixando, agora eu não quero mais. Hoje (ontem) é o último dia que eu recebo contas. Não dá mais”.
No Jardim Cambuí, o proprietário de uma mercearia também teme a ação de bandidos. Ele possui um posto de recebimento há três meses. “Se acontecer algo comigo, eu paro na hora de receber essas contas. A gente não tem segurança nenhuma e não dá para continuar”.

ASSALTOS
No último dia 6, ladrões encapuzados invadiram um supermercado no Jardim Santa Efigênia armados com revólveres. Os ladrões renderam o caixa e levaram R$ 3 mil. Dez dias depois, foi a vez de um supermercado no Jardim Dermínio ser alvo de assaltantes armados, que subtraíram cerca de R$ 46 mil. Outro assalto foi o do comerciante que estava a caminho de um banco com um malote contendo R$ 12 mil. Dominado por dois homens, ele foi amarrado, amordaçado e jogado em um barranco de cerca de 6 metros no Córrego dos Bagres. O caso mais recente é o de segunda-feira, quando o comerciante Fernando Pereira foi morto ao reagir ao assalto.

Os quatro estabelecimentos, assaltados num intervalo de 16 dias, são correspondentes bancários. O Capitão Wellington, comandante da Força Tática da Polícia Militar, diz que não há como o policiamento privilegiar uma área ou ponto específico da cidade. “As empresas que aceitam prestar este tipo de serviço precisam investir em segurança, uma vez que ficam visadas pelos bandidos”.  

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