Sensação de liberdade total, ausência de regras e muita adrenalina. São sentimentos como estes que fazem com que inúmeros meninos e até meninas passem horas por semana em cima de um skate, andando de um lado para o outro pelas ruas de Franca. Com estilo próprio, um skatista é facilmente reconhecido pelas ruas. Calça jeans - a maioria larga - camisetão, boné e tênis. Alguns mais estilosos preferem usar uma calça apertadinha. Mas são raros. A música é outro acessório fundamental para o skatista. Mesmo com música ambiente no último volume, há quem prefira ouvir sua canção predileta no fone de ouvido para ajudar na hora das manobras. Em geral o que mais se ouve é hip hop e rap.
Alexandre Garcia Martins, 23, faz parte da ‘tribo’. Diz que a paixão pelo skate começou quando ele tinha três anos de idade e se divertia com os amigos na rua. Passou a praticar e hoje participa até de campeonatos. “Ando quase todos os dias por até três horas”, disse Alexandre que trabalha como lavador. Mas o que leva Alexandre a gostar tanto de andar em cima de um pedaço de madeira movido por rodinhas? “É adrenalina pura. E foi também onde conheci meus melhores amigos”.
Outro que não larga o skate por nada é o cortador Anderson Morais Silva, 23. “Aprendi com amigos aos 12 anos e nunca mais parei de andar. O skate me traz liberdade de fazer o que eu quiser. Só dependo da minha criatividade para fazer as manobras”, afirmou Anderson que não está sozinho. Foi em cima de um skate que ele conheceu sua atual namorada, Vanessa Moreira, 23, que durante a semana trabalha como auxiliar contábil e aos finais de semana sai para andar com o namorado. “Comecei por influência de amigos há oito anos e não consigo parar. O skate nos dá a liberdade de não ficar a preso a nenhuma regra como acontece com a maioria dos esportes”, disse ela que já enfrentou preconceito por parte dos meninos. “Tive que provar que eu gostava e sabia andar”.
Além das ruas de Franca, os skatistas também podem ser vistos dando piruetas e fazendo manobras radicais nas duas pistas de skates da cidade, sendo uma no Leporace e outra no Jardim Bueno. No meio deste mês, uma turma se encontrou no Jardim Bueno para uma competição que reuniu 22 esportistas de Franca, Ribeirão Preto, Pedregulho, Sertãozinho e São Paulo. O prêmio era um típico kit skatista: shape (madeira onde se pisa), camiseta, tênis e boné. Mas ninguém estava ali pelo prêmio. Ganhar era apenas um detalhe. Queriam mais era se divertir e mostrar que manjam das manobras.
O evento foi organizado pelos amigos Kléber Silva, 38, Rafael Eduardo, 20, Lílio Pimenta, 24, Rafael Lourenço, 27, e Eduardo Morais, 30, que formam o grupo Colletividade e, claro, todos são praticantes do esporte. A competição chamou atenção. O público que se espalhou pelos bancos e gramado da praça onde fica a pista pôde admirar as inúmeras manobras realizadas nas rampas. Era difícil acompanhar apenas um skatista, já que vários andavam ao mesmo tempo. Algumas manobras mais radicais arrancaram aplausos do público. Tombos também não faltaram. Uma raladinha aqui, outra ali acabam sendo inevitáveis. Nada que faça com que o competidor desista de caprichar ainda mais na próxima apresentação.
DOCUMENTÁRIO
Para Kléber, o esporte ainda precisa ser mais divulgado para aumentar o número de praticantes em Franca. Com esse objetivo, o Grupo Colletividade filmou durante três anos skatistas andando pelas ruas da cidade. O resultado é o documentário A Rua Ensina, que tem duração de 35 minutos. “É um vídeo independente sem fins lucrativos com o objetivo de mostrar a cultura e valorizar os skatistas, que têm uma imagem tão ruim perante a sociedade”, disse Kléber, que há 25 anos pratica o esporte e não pensa em parar. O grupo Colletividade mantém um blog - www.colletividade.blogspot.com.
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