Chegamos ao final do ano litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei do Universo, Senhor do céu e da terra. Em Cristo temos a redenção, o perdão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criatura
A palavra de Deus proclamada na Eucaristia é muito rica e a primeira leitura relata um acontecimento na vida de Davi. Um dia os anciãos das tribos do norte se apresentam a Davi na cidade de Hebron e lhe dizem: Nós entendemos que Deus te escolheu como chefe não só de uma tribo, mas de Israel inteiro. Considera-nos agora como teus súditos; nós somos “como tua carne e teus ossos”.
Davi aceita e é ungido rei sobre todo o povo de Israel. O seu reino é grande e poderoso e os povos o admiram e o respeitam. Ele procura governar sem grandes conflitos, torna-se símbolo da autoridade justa que defende sua gente dos inimigos externos e implanta a justiça no meio do povo.
Com Davi aprendemos que a autoridade autêntica tem consciência de que o povo pertence a Deus. Líder verdadeiro não é o que domina ou manipula o povo, mas o conduz como um pastor, para a liberdade e a vida, para que possa viver em segurança. Que grande lição herdamos do rei Davi.
No trecho da carta de Paulo ao Colossenses, que é a segunda leitura, o apóstolo resume em três pontos a obra salvadora de Deus em Cristo: Deus nos fez participar gratuitamente da herança que havia preparado para seu povo santo; tirou-nos do domínio das trevas e nos recebeu no Reino de seu Filho; concedeu-nos o perdão pela cruz de Cristo.
Colossas era uma pequena cidade da Ásia Menor. Paulo não a visitou pessoalmente e quem formou a comunidade cristã dos Colossenses foi Epafras, discípulo de Paulo. Paulo estava preso em Éfeso e recebe notícias sobre a situação destes cristãos através de Epafras.
Os cristãos estavam ameaçados por uma heresia que misturava elementos pagãos, judaicos e cristãos. O trecho escolhido para hoje mostra que Cristo Jesus é a plenitude do humano e do divino. Os cristãos não procuram Deus através de seres intermediários, mas o encontram na pessoa de Jesus. Cristo é a raiz, o centro e o ponto de unidade de toda a criação.
O homem Jesus, que viveu como nós, é o lugar de onde contemplamos o Deus criador. O apóstolo afirma que em Jesus, Deus recriou a humanidade, tornando-o cabeça daquele corpo que é a Igreja. Por meio de sua morte nasceu a nova criação. A partir disso é necessário entender que a vida dos cristãos não depende de ritos feitos para acalmar divindades e sim, única e exclusivamente da fé em Jesus, o ser humano que traduziu com sua vida, o ser de Deus.
No evangelho, Jesus está na cruz e diante dele apresentam-se três grupos de pessoas: o povo, os chefes e os soldados. O povo: apenas observa, não consegue entender o que está acontecendo. Não consegue perceber como um homem que está morrendo sem reagir, possa ser o rei tão esperado. Os chefes: são os verdadeiros responsáveis porque Jesus não é o rei que lhes agrada, é um derrotado, é incapaz de salvar a si mesmo, não desce da cruz. Os soldados: homens simples, arrancados de suas famílias e enviados, por um salário pequeno, para cometer violências contra um povo de outra língua, de outros costumes, de outra religião. Longe da família, perderam todos os sentimentos humanos e se vingam contra um pobre homem, mais fraco do que eles.
Surge daí a grande lição do Cristo Rei. Do alto da cruz Jesus indica a todos quem é o rei que Deus escolheu: é aquele que sabe que a única maneira de dar glória a Deus é descendo ao último lugar para servir o pobre.
1ª EUCARISTIA
Na festa de Cristo Rei a Catedral celebra a 1ª Eucaristia de um grupo de meninos e meninas preparados ao longo de dois anos. Com o coração em festa recebem Jesus, na Eucaristia, pela primeira vez. É uma festa inesquecível.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.