À pergunta ‘você é feliz?’ as respostas mais ouvidas ou pronunciadas não são nada surpreendentes: seria feliz se tivesse um carro do ano; seria feliz se tivesse uma casa para morar; seria feliz se ficasse curado; seria feliz se fizesse uma viagem para a Europa... Como vemos, as respostas mais comuns denotam que a maioria considera felicidade uma conquista de bens materiais. Bens que, com a nossa inevitável desencarnação, um dia deixaremos.
No entender da Doutrina Espírita, a felicidade não é somente conquista, mas uma construção que cada um realiza no seu dia a dia, sobretudo, pelo esforço individual de realizar a felicidade no coração alheio. Diz Emmanuel: ‘quem torna feliz o coração alheio, torna feliz o próprio coração’.
Conta-se que um rico industrial procurou Chico Xavier para uma consulta. O consulente disse ao médium: “Chico, eu tenho tudo o que quero, mas não sou feliz. O que me falta para ser feliz?’. O médium, com a simplicidade que lhe era peculiar, após pensar por um momento, asseverou: ‘falta-lhe a felicidade dos outros’.
A sábia resposta evidencia que o caminho é semear, da maneira que nos for possível, a felicidade do nosso semelhante, recebendo como colheita, a construção da própria felicidade.
O poeta Lulu Barola, pela psicografia de Chico, anotou a seguinte quadra que bem espelha o pensamento da construção da felicidade: ‘Verdade que encontrei, / gravada em velha apostila / quem quiser felicidade / que trate de distribuí-la”.
Agora, os estudiosos do comportamento humano chegaram à conclusão de que o dinheiro não é a única causa da felicidade. Após demorados estudos concluíram que o dinheiro atende às nossas necessidades de conforto, mas não é fonte de felicidade efetiva. Esta conclusão óbvia veio da simples observação do que ocorre com os povos mais ricos. Se o dinheiro fosse causa direta de felicidade, nos chamados países desenvolvidos não haveria problema algum, porque, a par do poder aquisitivo do indivíduo, o Estado atende às suas necessidades básicas.
Entretanto, não é o que acontece: a oferta de alimentos, de assistência médica, de lazer, de educação, não elide a imensa carência afetiva que assola esses países. Neles grassa o suicídio, o alcoolismo, a drogadição... Dir-se-á que nos países pobres também ocorre esta problemática. É verdade. No entanto, a discussão está em se o dinheiro, ou sua falta, poderia ser a causa da felicidade. Por outro lado, quantas famílias detentoras de alentadas fortunas não atravessam os mais dramáticos problemas? Não é o dinheiro que as força a se verem submetidas a dolorosos testes.
Vemos, por isso, que o dinheiro é um veiculo, um meio que nos permite a realização de grandes projetos. O dinheiro, em si mesmo, é neutro. Depende do destino que lhe damos. Tanto podemos adquirir a gota de leite para a criancinha faminta como podemos comprar o veneno que destrói.
Procuremos dar uma finalidade útil ao dinheiro, construindo com ele a nossa felicidade a partir da construção da felicidade dos nossos semelhantes.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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