Menos leitos para os pobres


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Os problemas enfrentados pela Saúde Pública no Brasil continuam graves e podem ainda piorar mais, de acordo com pesquisa divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): de 2005 a 2009 houve uma redução de 11.214 leitos disponíveis para internação nas unidades de saúde pelo País. No ano passado, o número de leitos apurados pelo estudo foi de 431.996. Em 2005, eram 443.210. Ainda segundo o levantamento, do total de leitos registrados em 2009, 152.892 (35,4%) ficavam em estabelecimentos públicos e 279.104 (64,6%), em privados. A taxa nacional no ano passado foi de 2,3 leitos/mil habitantes, abaixo do parâmetro estabelecido pelo Ministério da Saúde, de 2,5 a 3 leitos/mil habitantes. Essa taxa só esteve acima dessa média na Região Sul, com 2,6 leitos/mil habitantes. As regiões mais desprovidas de leitos por habitante continuam sendo o Norte (com 1,8 leito por mil habitantes) e o Nordeste (com 2 leitos por mil habitantes).

Como se pode ver, ainda falta muito para que o País ofereça atendimento médico-hospitalar de qualidade a seus habitantes, notadamente os de renda mais baixa, que dependem dos estabelecimentos públicos de saúde. A falta de leitos é mais uma falha na gestão do SUS (Sistema Único de Saúde), que se vê às voltas com administrações problemáticas desde a sua criação. Por isso é que se vê o crescimento dos leitos nas instituições privadas, que já oferecem quase 65% das vagas. E, diante da desigualdade salarial registrada no País, fica ainda mais gritante o fato de os leitos públicos serem minoria. Ao mesmo tempo em que se buscam soluções para reverter esta situação - e todas elas passam por mais uma sangria no bolso do contribuinte -, os governos em todos os níveis (federal, estadual e municipal) precisam fazer uma verdadeira ‘reengenharia’ no sentido de diagnosticar os ralos por onde escorre parte do dinheiro público que deveria estar servindo para engrossar a verba para a Saúde.

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