O sapateiro Márcio (ele pediu para não ter o nome completo revelado), 25, está há um ano com o nome incluso na lista de inadimplentes do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). O motivo é um cheque de R$ 175 que o jovem não cobriu e, após cobrança de juros, a dívida já chega a quase R$ 300.
Com restrições no mercado, ele tenta desde o começo do ano uma forma de saldar o débito. Para isso, cancelou os dois cartões de crédito que possuía e diminuiu as compras. “Tentei uma negociação, mas pediram o pagamento à vista. Como não tinha condições, a dívida continua em aberto até hoje”.
Para ele, a facilidade na hora de comprar aliada ao desejo de “estar atualizado” contribuem para o endividamento. “Conforme a gente tem aumento de salário mais quer gastar e não se preocupa com o futuro. Faz uma prestação atrás da outra e só para quando há uma restrição”, disse Márcio. Segundo o jovem, a falta de maturidade também favorece na hora de adquirir mais dívidas. “Numa outra ocasião, comprei um celular e dividi em quatros vezes. Paguei três e esqueci da última. Só lembrei quando a cartinha chegou em casa”.
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