O moleque caiu de bunda enquanto dançava samba


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As fotos que ilustram essa página são de crianças africanas brincando na época da Copa do Mundo
As fotos que ilustram essa página são de crianças africanas brincando na época da Copa do Mundo

Estranhou a frase? É para mostrar a você que muitas das palavras que usamos todos os dias são de origem africana. Só no título temos três: moleque, bunda e samba. Quer conhecer outras? Aprenda mais!

Vamos lá: bagunça, berimbau, cachaça, canga, capanga, dengue, dendê, jiló, sunga, tanga, titica, marimbondo, minhoca, muamba, fubá, cachimbo, jabá, carimbo, angu, lelé, acarajé, vatapá, caruru, quibebe, batuque, senzala e muitas mais.

Toda língua tem em seu vocabulário palavras de outras línguas. O português do Brasil tem palavras africanas e indígenas, além de muitas palavras inglesas. O inglês entrou no nosso idioma há menos de cem anos e vem crescendo muito: nomes de lojas, produtos, marcas, comidas, músicas, bebidas, danças, bandas e outros segmentos aparecem com muita frequência.

Mas de onde vêm as palavras indígenas e as africanas? Elas vêm de tempo bem mais antigo, do período de colonização do País. Começaram a fazer parte da nossa língua desde que os primeiros colonizadores portugueses aqui chegaram. Em contato com os índios, iam aprendendo novos nomes para coisas conhecidas e desconhecidas. Jabuticaba, por exemplo, era desconhecida como fruta e como palavra. Entrou para o vocabulário dos portugueses, que a adoraram.

Mas e as palavras africanas, como chegaram até nós? Elas foram trazidas pelos escravos e incorporadas ao idioma. Escravos? Que história é essa? Vamos falar um pouquinho a respeito. Quando os colonizadores portugueses pisaram no Brasil, perceberam que precisariam de muita mão de obra para fazer tudo o que pretendiam. Necessitavam de gente para trabalhar. Os primeiros explorados foram os índios.

Mas os índios eram rebeldes, não gostavam da disciplina do homem branco, se revoltavam e jamais se deixavam escravizar. Os olhos dos portugueses se voltaram então para a África. Contrataram mercadores e mandaram buscar milhares de africanos para serem aqui transformados em mão de obra. Em troca de um trabalho desumano, os africanos só tinham direito a uma comida muito ruim. Se tentavam fugir eram mortos.

Talvez você se pergunte porque os africanos deixavam sua terra e vinham para cá. Tem uma explicação. Eles eram enganados pelos mercadores. Estes diziam que eles receberiam bens, salários, casas. Ofereciam mundos e fundos até embarcá-los nos navios negreiros. Os africanos vinham em grupos de 100 a 600, nos porões, onde passavam muito mal. Muitos morriam. Os que desembarcavam, duravam pouco.

Que trabalho faziam aqui? Nos primeiros tempos, na plantação de cana e nos engenhos de açúcar. Depois foram explorados nas fazendas de gado e nas de café. Também faziam um dos piores trabalhos que existem que é o de mineração. Quase 100% dos mineradores de Minas Gerais eram escravos. No final do século 19, já próximo da Abolição da Escravatura, em 1888, eles eram ferreiros, sapateiros, doceiros, vendedores ambulantes, domésticos.

Foram 300 anos de exploração e uma parte muito feia da história do Brasil.

Durante todo este período de escravidão, no final do dia, quando terminavam suas pesadas tarefas, os escravos se reuniam na senzala. Este era o nome do lugar onde ficavam: um grande barracão sem luz, sem ventilação, sem nenhum conforto. Reunidos no começo da noite, formavam uma roda, tocavam tambor, batiam palmas e dançavam. Ali nascia o samba, o ritmo que identifica o Brasil.

Os negros cantavam para se distrair, matar saudades de sua terra, mas também para rezar. Sua religião era o candomblé, um culto aos orixás, forças da natureza. Iansã simbolizava o vento; Oxum, a água dos rios; Yemanjá, o mar; Oxóssi, a floresta; Ibejy, a criança. E assim por diante. Tinham muitos orixás. Como estavam proibidos de professar seus cultos, buscaram santos católicos próximos dos seus: Santa Bárbara passou a ser cultuada como se fosse Iansã, pois ambas protegiam os humanos durante as tempestades.

Cantavam para se distrair e para rezar. Dançavam para lutar. O nome da dança-luta talvez seja bem conhecido por você. É capoeira, mistura de várias tradições e de antigas danças. Os portugueses, perturbados por aqueles movimentos rápidos que poderiam derrubar um homem em poucos segundos, logo proibiram os escravos de praticar capoeira. Mas eles desobedeciam as ordens e treinavam escondidos.

Falamos de língua, de música, de crenças. Falta falar das comidas, outra grande influência dos negros sobre nossa cultura. Quando você come um pedaço de bolo de fubá, experimenta vatapá, mistura frango com angu e quiabo, vê algum turista falando que o acarajé da Bahia é muito bom, está trazendo à baila pratos de uma culinária que nos foi ensinada pelos africanos. É grande o número de pratos que herdamos deles e continuamos comendo com o maior prazer. Na Bahia, 90% do cardápio é composto por culinária africana.

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