Uma arma sobre duas rodas


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São extremamente preocupantes os números publicados ontem pelo Comércio, em sua manchete, dando conta de que a Polícia Militar registrou somente nos dez primeiros meses deste ano 1.637 acidentes envolvendo motocicletas em Franca - uma média de cinco ocorrências por dia. Para uma frota que supera as 52 mil unidades, 3,1% das motos se envolveram em acidentes de janeiro a outubro deste ano, um índice considerado bastante elevado. Nos números da polícia, estão relacionados acidentes com e sem vítimas - colisões contra carros, muros, postes e quedas envolvendo veículos motorizados de duas rodas. Não é de hoje que alertamos para o crescimento das ocorrências verificadas nas ruas da cidade com motocicletas. Porém, o que mais preocupa é o número de vítimas fatais neste tipo de acidente: o Comércio noticiou, entre junho de 2009 e junho de 2010, 46 mortes em decorrência de acidentes com motos. Ou seja: quase 4 mortos por mês.

De acordo com o levantamento feito pela Polícia Militar, as avenidas de Franca continuam sendo os locais que concentram a maior parte dos acidentes. Abrahão Brickmann, Presidente Vargas, Brasil, Wilson Sábio de Mello e Ismael Alonso & Alonso são tidas pela PM como as vias mais perigosas, apesar de bem sinalizadas. O grande volume de veículos circulando por estas vias é um fator complicador, mas também deve-se ressaltar que a imprudência e a inobservância das regras elementares de trânsito também contribuem para que as estatísticas sejam infladas de ano a ano. Sérgio Buranelli, secretário municipal de Segurança, responsável pela Divisão de Trânsito, revelou que estuda um projeto para que motociclistas tenham cursos de direção defensiva.

É uma medida bastante positiva que precisa ser implementada com rapidez. Esse poderia ser o início de uma conscientização dos condutores de motos e motonetas. Complementando a ação, seria interessante promover um chamado ‘choque de realidade’ em motoristas e motoqueiros. Um dos caminhos é uma medida muito utilizada em outros países. Trata-se de medida simples, mas que causa impacto: confrontar os condutores com as imagens chocantes dos motociclistas vítimas de acidentes de trânsito na cidade. Vídeos com pessoas que apresentam sequelas decorrentes de desastres com motos também seriam capazes de causar maior impressão aos condutores de veículos do que qualquer aula teórica sobre como se conduzir no trânsito.

A falta de segurança de motos, motonetas e ciclomotores não é segredo para ninguém. Mas poucos conhecem as consequências de um acidente grave, onde um motoqueiro pode perder a vida numa simples queda do veículo - como aconteceu no último final de semana. Uma nova postura precisa ser adotada e se conscientizar de que os veículos automotores podem se tornar uma arma mortal se não forem encarados com a devida responsabilidade e prudência é o primeiro passo. Quando isso acontecer, todos os que circulam pelas ruas da cidade, motorizados ou não, sairão ganhando.

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