A Polícia Rodoviária Federal divulgou o balanço dos acidentes em estradas federais brasileiras no feriado prolongado, entre a zero hora do sábado e a zero hora da terça-feira: 142 mortos, dos quais quatro no Estado de São Paulo, e 1.486 feridos. Nas estradas estaduais de São Paulo, foram registradas outras 30 pessoas mortas e 345 feridas.
A cada vez que notícias como essa são divulgadas, os números parecem não sensibilizar a população e autoridades, todos anestesiados com a ocorrência de acidentes aqui e acolá. Um feriado prolongado como o de 15 de novembro produz um total de vítimas fatais equivalente ao verificado num único acidente aéreo. A diferença é que no caso dos acidentes rodoviários as vítimas aparecem em pontos separados e em momentos diferentes. Por essa razão, a soma não choca, nem ganha grande atenção na opinião pública.
Somente uma guerra produziria quantidade tão elevada de mortos e feridos em tão poucos dias. As vítimas do trânsito urbano e das estradas são a maior tragédia da atualidade no Brasil. Estradas com falhas estruturais e de sinalização associadas ao abuso de bebida alcoólica e condições adversas do clima produzem um cenário de mortes anunciadas e silenciosas a exigir das autoridades maior ação na prevenção e fiscalização. O problema se agrava com o crescimento do número de veículos. A tendência não é acompanhada na mesma proporção de controles sociais para diminuir a incidência de acidentes. Cinto de segurança, airbags, radares, campanhas, pistas melhores – tudo o que foi feito está colaborando para evitar um drama ainda maior, mas o ideal está muito distante. Os prejuízos sociais se estendem para um número cada vez maior de mutilados que congestionam os pronto-socorros e exigem do Estado complexas redes de tratamento.
Frota crescente
Um agente da Polícia Federal comentou ao portal G1: “Temos percebido aumento no número de acidentes, feridos e mortos por conta da frota cada vez maior e da quantidade de gente dirigindo”. A frase é simples, mas resume o desafio em poucas palavras. Não há como separar o problema das rodovias do crescimento do número de carros licenciados e em circulação também nas cidades. O aumento da frota de carros provoca dor e transtornos nas áreas urbanas cada vez mais.
São Paulo
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a capital está perto de ultrapassar os 7 milhões de veículos, para uma população de 10 milhões (Censo 2010). Ao longo do ano, a cidade recebeu 27 mil novos veículos por mês. Desde que o rodízio municipal foi criado em 1997, a frota cresceu 45%.
Explosão
Dois fatores são apontados por especialisas para explicar a frota ser tão grande em São Paulo: as deficiências do transporte público e as vantagens oferecidas para a aquisição de carro zero. “Os governos federal e estadual têm de dar as mãos e construir pelo menos mais cem quilômetros de metrô”, diz o professor de engenharia de trânsito Creso Peixoto.
No Interior
A realidade é a mesma, guardadas as proporções, no Interior Paulista. Chegamos ao ponto em que já há mais carros que moradias. A circulação de motocicletas é responsável por boa parte das ocorrências. Apenas como exemplo, nos dez primeiros meses do ano foram registrados 1.637 acidentes com motos em Franca – média de cinco por dia. Estão incluídos na estatística acidentes com e sem vítimas – colisões contra carros, muros, postes e quedas. Quadro preocupante se verifica na maioria de nossas cidades.
Curtas
• A Secretaria Estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania anunciou a criação de comitês regionais de prevenção e enfrentamento ao tráfico de pessoas. O objetivo é mobilizar lideranças comunitárias e gestores municipais para discutir e implantar ações.
• Em Presidente Prudente, juiz determinou a dois adolescentes – um de 14 anos e o outro de 16 – a limpeza de pichações feitas nas paredes de um banheiro público.
• É muito grave a sequência de cancelamentos de voos da Pantanal Linhas Aéreas. Passageiros estão sendo transportados de ônibus de Guarulhos a Araçatuba, cerca de 540 quilômetros. O que devia ser uma exceção está virando regra. Um vexame para a aviação aérea regional brasileira.
Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br
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